quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Boa época!


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Prova Oral

Hoje ouvi o programa da Antena 3, por indicação de uma Libelinha minha amiga.
Prova Oral. O convidado era Carlos Amaral Dias e o tema o Amor.
Foi excelente. Porque foi hilariante e simultaneamente rico em conteúdo, intelectual, com argumentos e apontamentos históricos que justificam muitos dos factos que se passam à volta desta coisa das relações amorosas da cultura de hoje, de ontem e da de entretanto.
Muitas verdades foram ditas, e ouvi-las desdramatizou-me. A gargalhada de nós próprios. Nada pode ser mais sábio.
A saber:

A verdade de um ouvinte que resolveu citar Ornatos Violeta
"O amor é uma doença quando procuramos nele a nossa cura."

A verdade do próprio Carlos Amaral Dias
"A componente erótica [da relação sexual entre um homem e uma mulher] acontece quando a mulher que existe dentro do homem faz amor com o homem que existe dentro daquela mulher."

Eu achei aquela conversa simplesmente genial.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Doença

Hoje estou farta de ti.
Farta de pensar em ti e de me cansar contigo.
Hoje não te quero jamais e quero nunca mais sentir-te.
Aliás hoje nem te sinto, nem te penso, nem nada.

Hoje só estou farta de ti e olho para tudo o que aqui está escrito e parece-me escrito por outras mãos que não as minhas e tudo me parece um grande exagero que me faz adoecer e sentir que tens sido a minha doença.

Mas não, a doença sou eu, por te permitir em mim, tão demoradamente como se não houvesse mais nada a preservar, como se não estivesses a definhar-me tudo só por teres existido em mim.
Tudo errado. Houveste, e depois? Antes assim. Prefiro isso a nada. Foste embora, e então?

Era mesmo preciso eu pensar que o Mundo se desintegrava sem ti?
Pouco inteligente, pouco amadurecido e muito pouco contemporâneo.

domingo, 19 de outubro de 2008

Promets-moi



"- Só te falta uma recordação.
- Dá-me um beijo.
- De recordação não, para sempre.
- Se sobrevivermos a isto, é porque é para sempre"

Emir Kusturica

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Love not (m)(n)aked



Teria feito alguma diferença?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Pilar & Saramago

Estive a ler a entrevista que Pilar del Rio fez a José Saramago, publicada na revista do Expresso desta semana.
Jornalista e escritor. Mulher e marido.
Ambos os papeis se encontram ali.
No início parece haver um distanciamento da condição de casal que os une, ficando "só" a vantagem de se conhecerem muito bem, como se fossem dois muito bons amigos. À medida que progride, a conversa flui, evolui, constroi-se como só acontece com um casal que se ama.
E depois, terminada, há um pequeno artigo sobre a história por trás da entrevista. Os bastidores, digamos.
Saramago, num momento em que Pilar não estava presente, diz "Não consigo imaginar a minha vida sem Pilar. Ou melhor, consigo, não seria nada boa."
Antes, na entrevista, lê-se que, durante a grave doença de Saramago ele terá dito a Pilar que não sabia se chegaria a terminar o livro que começara antes de adoecer. Isso parecia perturbá-lo, como se pudesse eventualmente morrer, com a vida por rematar. Nessa altura, Pilar conversou com os médicos e pediu-lhes que fizessem tudo o que pudessem para que ele vivesse pelo menos mais três meses, para que concluisse o livro.
Ele viveu, mais do que isso. Recuperou, acabou o livro e dedicou-lho:
"Para Pilar, que não deixou que eu morresse."
Não consigo imaginar melhor amor que este.
Pilar não estava apenas preocupada em perder o seu amor para a morte. Pilar estava preocupada que o seu amor não morresse em paz com a sua obra, sabendo que a sua obra era o mais importante da sua vida. Pilar distanciou-se do seu próprio sofrimento e objectivou a prioridade. Com medo de poder não ter o impossível, pediu o melhor dos possíveis.
E, talvez por isso, conseguiu muito mais.
O amor puro é assim.

Se leres a entrevista, ficarás a saber como eu contava amar-te. E talvez fiques a conhecer-me melhor.
Muitas vezes penso se não me amaste por não me teres chegado a conhecer ou se por me teres conhecido mal. Ou simplesmente porque não gostaste do que conheceste.
Não importa.
Sei que, se te soubesse doente, não permitiria que morresses. Não sem antes conseguir que fizesses o que te fosse mais importante.
Não sem antes estarmos em paz.
Não sem antes me despedir de ti e te agradecer por me teres permitido amar como eu acho que se deve amar alguém.

E, no livro que um dia espero escrever, dir-te-ia

A ti, que me permitiste viver.

domingo, 12 de outubro de 2008

Porto de abrigo



Ontem voltei à cidade e ao sítio onde nos beijámos pela primeira vez.
Estava lá tudo no mesmo lugar.
Menos nós.
Fizemos lá falta. Pelo menos a mim, pareceu-me tudo vazio.
Como se não estivesse lá ninguém.
Também o ar já não era o mesmo e, talvez por isso, me tenha sido difícil respirar.
Desta vez levei outros sapatos. Deviam ser bem desconfortáveis, porque me doía o chão ao caminhar. Quando lá estive contigo, não me lembro de sentir os pés. Penso que andava 5 cm acima dele, e tu puxavas-me para ti e o meu corpo fluia no ar.
Desta vez não choveu nem um segundo. Todos diziam que estava uma noite óptima. Fiquei a pensar que não sabem como aquele sítio é muito melhor à chuva.

Aquela esquina aparece num anúncio quando vou ao cinema. Penso que se a tivessem filmado enquanto lá nos beijávamos, abrigados da chuva, teria ficado melhor.
Teria ficado perfeito.

Foi-me bastante difícil estar ali agora.
Cenário vazio. Palco abandonado. Toda a plateia virada para outra peça.
E eu.
Sozinha no decor, sem conseguir sair do meu papel.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Notas para uma Regra de Vida

Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.

Aumentar a personalidade sem incluir nela nada alheio - nem pedindo aos outros, nem mandando nos outros, mas sendo outros, quando outros são precisos.

Reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem.

(...)

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, 237.

domingo, 5 de outubro de 2008

98 anos


Não desanimes.
Que sejas feliz!

domingo, 28 de setembro de 2008

Um belo dia


Parabéns

sábado, 27 de setembro de 2008

Paul Newman


Escolhi com intenção uma fotografia com a sua mulher.
Porque este amor de 50 anos fez dele

O homem perfeito.

O Mundo é, a partir de hoje, um lugar menos bonito.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Dia de não gostar de mim

Odeio-me quando não escrevo nada de jeito.
Isso significa que não penso nada de jeito.
E eu odeio esta minha ignorância.
Odeio pensar que só seria feliz se soubesse muito do Mundo, e não saber nada.
Odeio querer ser uma coisa e ser outra.
(Pelo menos quero ser melhor do que sou. Odeio quem não quer ser melhor.)

Preto e branco

Isto às vezes é preciso olhar para as coisas de longe, se não não se percebe nada.
Ainda que haja dias que não me apetece fazer grande coisa por mim, um bocadinho de inteligência emocional não me fazia mal nenhum.
Isso.
Ser um bocadinho menos dramática a escrever, talvez fizesse mais jus à realidade. Esta minha veia de artista castrado dá nisto. Pudesse eu representar a minha própria personagem em palco e deixava de me fazer um drama.
Um grande aplauso.
Deve haver alguma coisa de consolador na tristeza, porque há preguiça de sair dela. E toda a gente gosta de espreitar uma boa tragédia.
A verdade é que não há nada que eu goste tanto como rir-me.
Uma gargalhada agora é que era!
Não seja pateta, menina! Ninguém ri o tempo todo!
Mas eu tenho sempre essa ambição - emoções fortes.
Não é de me atirar de uma ponte, atada a um elástico. Esse dispêndido de adrenalina parece-me um desperdício - não acho que tenha adrenalina a mais e preferia usá-la com outras coisas.
Agora, não me dou nada bem com lugares cinzentos, com meios-termos, palavras-meias, sorrisos amarelos, indecisões, emoções fracas.
Ou sou fiel ao meu desgosto, ou mais vale ser feliz.

Que o resto é um lugar estranho.

Agustina

"(...) A felicidade não é uma ilusão, porque há pequenas felicidades que podem ser extraordinárias.
Pode-se viver a vida inteira em poucos minutos, e não é uma ilusão.
A felicidade não é uma constante na vida humana."

Agustina Bessa-Luís

Obrigada, Libelinha

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Sophia

"Mais tarde será tarde e já é tarde
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa."

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 21 de setembro de 2008

Nova estação

Vai chegar o Outono e este blog vestiu-se a rigor.
Menos clean, mas mais explorado, mais vivido, mais maduro.

Que folhas farás cair?
Bem-vindo, Outono.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

328.

"Junta as mãos, põe-as entre as minhas e escuta-me, ó meu amor.
Eu quero, falando numa voz suave e embaladora, como a dum confessor que aconselha, dizer-te o quanto a ânsia de atingir fica aquém do que atingimos."

Bernardo Soares - 328. O Livro do Desassossego

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

"A vida passa e era bom saber...

... o que é feito de ti?"

Já não existes na minha vida. Não neste momento.
Mas exististe num momento passado, de curta duração. Por um momento, houve uma existência nossa, de nós. O que mais me custou na nossa breve existência foi ter de desistir dela. Desistir de ti.
Tive de o fazer, porque a vida continuou sem ti. Ou porque tu continuaste sem mim.
Nesse instante em que passaste por mim, modificaste-me para sempre. Deixaste a tua marca em mim, na minha vida.
A tua música, os teus livros, o teu (sor)riso, a tua ternura acrescentaram à minha vida uma existência mais bonita. Recuperaste-me a curiosidade, o intelecto, a sensibilidade.

A-PAI-XO-NAS-TE-ME

Por um momento, senti ter comigo o amor de uma vida. Fui capaz de sentir que queria estar com alguém até um dia morrer, e morrer com alguém. Despedir-me de alguém antes de morrer, se a morte me fosse anunciada. Quis ser de um só, para sempre. Fazer tudo com uma pessoa só, porque só uma pessoa bastava para encher de gente o meu Mundo. Queria esse amor omnipresente nos meus dias, na rotina circadiana do desejo, no meu adormecer e no meu acordar, nos meus filhos, na minha família, nos meus enfados e nos meus problemas. Eu seria completa com esse amor. Com ele quis a eternidade e o imediato, o bom e o mau, o muito e o ínfimo. Quis tudo.

Não sei quantas vezes na vida serei capaz de sentir o mesmo. Não é comum acontecer.
Mas sei que não vou querer nunca menos do que isto.
Dizem que amar nos dá anos de vida. Eu vou viver mais tempo.
Magoaste-me impiedosamente.
Mas isto é o que sobra da mágoa.

Uma vida mais feliz.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

The Story

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you
You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

Brandi Carlile
Composição: Phil Hanseroth


Pelos dias nos Açores!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Açores


Prometia tudo. E foi muito mais do que prometia.
Os dias eram longos, mornos, transparentes, etéreos.
O nosso riso ecoava em cada escarpa, fundindo-se com o som do mar azul cobalto que dissolvia os entremeios da costa.
O silêncio da terra permitia que ouvíssemos o prazer dentro de nós, um som de explosão vulcânica.
A vida viveu-se sem fronteiras entre terra e mar. Caminhávamos pelo mar como se fosse terra, e pela terra como se fosse mar - o nosso destino era um lugar único.

Sobrevoámos, digamos.

O paraíso?

Nunca um destino me havia sido tão envolvente, tão fotográfico, tão feliz.
Tudo parecia intocado, perfeito. À nossa espera, como jóia perdida.

Esquecida, ou guardada?

Não há segredo mais bem guardado que os Açores.

A todos os que foram comigo e permitiram que o nosso destino tivesse sido perfeito, obrigada!

sábado, 2 de agosto de 2008

Encontrai-me!

"Quando estão juntos satisfaz-se em fitá-la, em ouvi-la, em observar-lhe as pupilas e o movimento dos lábios a um metro de distância dos seus olhos.
Enquanto fala com ele, Mariana pertence-lhe."

José António Saraiva, in O Último Verão na Ria Formosa

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Royal Deluxe







"Sou do tamanho do que vejo, e não do tamanho da minha altura."


Fernando Pessoa

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Woody Allen

“Na minha próxima vida, quero viver de trás para a frente.
Começar por morrer, para despachar logo esse assunto.
Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar. Receber logo um relógio de ouro no primeiro dia de trabalho. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma.
Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, para depois estar pronto para o liceu.
Em seguida a primária, ficar criança e brincar.
Não ter responsabilidades e ficar um bébé até nascer.
Por fim, passar 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois... Voila! - Acabar com um orgasmo!

I rest my case."

By WOODY ALLEN

domingo, 13 de julho de 2008

Oceanário

Sabes?
Vou contar-te uma coisa.
Um dia vi-te, e não senti nada. Depois vimo-nos muitas vezes, e comecei a sentir que eras uma companhia agradável. Ao fim de pouco tempo, começaste a mostrar-me que eu era importante para ti. E eu gostei disso. Deixámo-nos envolver os dois, por aquilo que parecia ser uma atracção incontrolável.
Um dia pareceste-me apaixonado, e eu deixei-me apaixonar por ti. Eras o mais doce e bem humorado e interessante dos demais. Parecias-me a ponta do iceberg que eu queria explorar o resto da vida. Nesses tempos eu levitava.
Senti tudo: as borboletas na barriga, o coração sempre nervoso, uma saudade louca nos intervalos, um desejo sempre adiado para que fosse perfeito, para não ter pressa. Tive admiração por cada palavra, por cada centímetro quadrado da tua pele. Memorizei-te as expressões e absorvi o teu cheiro. Rendi-me ao teu encanto (não há dúvida de que és encantador).
E num outro dia vi-te noutro Mundo, sozinho de mim, mas rodeado de outros, longe como se não te lembrasses de nada, distante como se nunca tivesses estado perto. Diferente, como se só eu tivesse imaginado tudo, indiferente à minha figura. Como se não me visses, nem ouvisses, como acontece aos peixes num daqueles oceanários que não sabem de ninguém que os visita - teria eu alguma vez nadado contigo?
Aterrei com força sobre os meus pés, da altura onde tinha estado a levitar - doeu-me tanto!...

Enganaste-me.
E com isso, ambos perdemos tudo.
Quantas vezes na vida vou eu ser capaz de sentir o mesmo? Sabes o que significa defraudar isso? Estragaste-me o melhor sentimento do Mundo e eu ando cheia de medo de não ser capaz de o sentir de novo.
E perdeste-me.
Tu não chegaste a conhecer-me, mas é possível que tenhas perdido a mulher que mais te amaria.


Solidão

Tem dias difíceis.
Em que a solidão, essa dor de me sentir só - infinitamente só - é um mal maior do que o nosso.
Nesses dias preferia estar só contigo a qualquer outra coisa no Mundo.
Nesses momentos acredito que me bastavas tu para ser feliz.

Tem dias.
Não é sempre assim.
A maior parte do tempo penso-te como uma fraude.
A quem jamais desejarei de novo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pensamento dos dias

Sei que pensas em mim.
Espero que penses que erraste.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Miss Hepburn, again




Liberdade

Que bom é sentir-me livre de ti, vazia de ti e curada desse mal em que me trazias!...

domingo, 6 de julho de 2008

Miguel Torga


Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos
de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido; (...)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Desengano

Ter-te descoberto vulgar, comum, pouco superior,
foi o melhor dos antídotos para deixar de te querer.

Foste um engano, não um desencontro.
Não existias, meu príncipe.

Adeus.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Para ti




domingo, 29 de junho de 2008

(Not a) Happy Birthday!


A festa estava linda e cheia,
mas eu não podia ter-me sentido mais sozinha.






sexta-feira, 20 de junho de 2008

Desencontro

Este blog mudou de nome.
Primeiro porque eu já havia avisado que ia mudar de rumo, segundo porque eu já estou muito mais sossegada, e terceiro porque o último post do "Desassossegos" se chama "Despedida".
E quando se parte, parte-se para outro lugar.
Continuem a encontrar-me, se não em mais lado nenhum, pelo menos aqui!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Despedida

Se podias ter sido o amor da minha vida? Sim, acho que podias. Mas não posso ter a certeza. Conheci-te pouco e mal. Digo "mal" porque penso que deves ser bem melhor do que eu conheci.

Ficou quase tudo por fazer e por dizer. Tanto, que finalmente hoje, consigo chorar. Hoje, que se contam semanas que entre nós há um silêncio de palavras circunstanciais e em que não dissemos nada um ao outro, sei que tudo o que não foi dito ficará por dizer, pois deixou de existir.

Não sei em que momento nos despedimos. Teremos ambos querido evitar a despedida?

Durante todo este tempo hesitei em deixar-te partir. Custava-me a ideia de te perder. Talvez por isso não tenha percebido que nunca chegaste a estar comigo.

Agora sei que não falhei em nada. Dei-te o meu melhor abraço e alguns dias da minha maior alegria. Nunca te dei mais do que podia dar, nem menos do que merecias. Em nenhum momento te defraudei. Estive realmente contigo, disposta ao futuro e àquilo que a nossa encantadora sintonia parecia prometer.

Foi bastante bom e penso que tu também estavas a gostar - não és homem para perderes tempo com o que não gostas. Mas nunca te deixaste envolver completamente por aquela doçura. Resististe-lhe e atraiçoaste-a. Não sei porquê.

Senti-me muito angustiada quando percebi que nos tínhamos dado de formas diferentes. Pensei que tinha interpretado tudo errado. Pensei que me tinha enganado. Agora penso que foste tu quem me enganou. Digo-o sem medo de me ouvir, e sem vergonha que o ouçam. Apenas com a lucidez que a distância me trouxe.

Ainda me sinto um pouco triste quando penso em ti, porque ainda sinto falta da leveza com que caminhava nesses dias e da gargalhada que ouvia dentro da minha cabeça. Mas por este TU, não sinto nada.

Finalmente vou poder despedir-me, sem culpa.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Adormecer

Eu durmo com o quarto bem escuro. Uma qualquer luz mais atrevida pode perturbar-me o adormecer. É que se houver um pequeno traço de luz no escuro ele acaba por dar uma definição às silhuetas das coisas que eu tenho no meu quarto e depois fico a lembrar-me do que elas são e vou perdendo o sono.
Eu adoro adormecer. Também gosto de dormir, mas o que eu gosto mesmo é daquele bocado de tempo enquanto adormeço. Em que a minha cabeça já está perdida nas suas liberdades, mas ainda consigo saber que é isso mesmo.
Outra coisa que eu também gosto muito de fazer enquanto a minha cabeça ainda não está por conta dela, é de pensar em coisas muito boas antes de adormecer. Pode ser em coisas que realmente me aconteceram, ou em coisas que eu gostava muito que me acontecessem. Isso às vezes deixa-me um pouco triste, porque fico com medo que nunca (mais) aconteçam, e então, nessa altura, prefiro pensar noutras coisas, menos boas, mas mais fáceis de acontecerem.
O sono acalma-me. Sossega-me quando eu estou triste e ampara-me as quedas. E guarda-me as alegrias para o dia seguinte.
Só é pena é que quando estou realmente muito feliz ou muito triste, não tenho sono e custa-me adormecer...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Abandono


Sabes, a tua ausência... está a acabar tudo.
Já quase só me resta a angústia. Do que era feliz já não sobra nada. Está tudo abandonado.
Há muito que já não levito, em vez de me atirar como um peso bruto para cima dos meus pés. Já nem rio quando penso nisso. Nem saudade. Está tudo a definhar, a morrer.

Às vezes já não espero nada.

Já só queria conseguir descansar a cabeça de ti por uns momentos, eliminar-te do pensamento e da memória. Mas tenho medo de nunca mais me lembrar.

Não tardes mais.
Vê se regressas antes da morte.

Ispectaculare!


Só faltam 4 jogos!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Missing


Miss our Kiss.

Miss you.

domingo, 8 de junho de 2008

Atitude

Preciso decidir-me por uma atitude.
Mas ainda não sei qual - está tão árduo, o dia...

Posso desistir de ti hoje mesmo. Convencer-me que não damos certo, que não nos queremos, que não tens amor para mim.

Posso insistir em nós. Mostrar-te as maravilhas do que podemos ser juntos, lutar por esse teu amor adormecido, por tudo o que ficou por fazer.

Só não posso ficar à espera que o tempo leve o que sobra de nós, que decida por mim.

sábado, 7 de junho de 2008

Viva!!


3 ao poste, 1 anulado e 2 lá dentro!
É assim que se faz!

Love

I think I love you... Do I?

Medo

Não tens medo do desencontro?
Não tens medo de perder para sempre isto que era tão bom?
Não tens medo de me deixar partir?
E de deixares de me ter? E de deixares que eu te esqueça?

Eu morro de medo.

Desesperança

Está tudo na mesma.
Passaram-se dias que me parecem minutos infinitos e deixei de conseguir ler o nosso silêncio. Talvez porque já não haja nada para ler.
O tempo vai levar-nos tudo... o pouco, o nada... O tempo vai assaltar-me o que tinha guardado para ti e eu vou ficar sem nada para te dar. Não tarda.
Que faço eu com as horas que passam?
Poderei eu sozinha e com este amor frágil e maltratado mudar o que tu queres de mim?

Hoje estou cheia de medos.
Medo do desencontro perene, do desamor, da solidão dorida.
Medo de não ser ninguém.

Hoje estou cansada.
Cansada de ti, dos teus desolhares, dos teus gestos que não me tocam, da infinita distância.
Cansada de te pensar cada segundo.

Hoje eu queria fechar os olhos e não te ver, nem te ouvir, nem sentir a tua falta. Queria pensar no amanhã sem precisar que lá estivesses para eu o imaginar feliz.

Hoje isto está difícil de aguentar.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sex and the City



RIR, RIR, RIR e RIR!!!!!!!!!!!

Hoje acho que não há nada melhor do que isto: rir com as amigas, rir das amigas, rir pelas amigas, rir entre amigas!

(E dedico este post a todas as amigas que, de vez em quando, riem comigo)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

4 de Fevereiro de 2008

Ah caraças!... Como doem as saudades dos dias alegres!
Queria que hoje fosse 4 de Fevereiro, para começar tudo de novo...

Jazz ao Centro



Neste contexto, assisti hoje a uma palestra sob o tema "Arte, Ciência e Tecnologia na temática da improvisação no Jazz, da improvisação livre e da improvisação estruturada" mas, no fundo, não tinha nada a ver.

Foram 2 as apresentações a que assisti.

A primeira foi sobre Inteligência Artifical, onde se abordou a questão: pode o homem treinar a máquina de modo a que ela seja capaz de superar a sua própria mente? Ao que parece, hoje é possível programar sistemas de modo a que eles "apreendam" as obras de Bach (por exemplo), e depois sejam capazes de criar uma nova obra, totalmente fiel a esse compositor, na forma e conteúdo, obedecendo a regras de lógica, articulação de blocos e afins. O resultado é, de facto, surpreendente. Mas o que esta palestra teve de ainda mais interessante, foi que chamou a atenção para uma característica única, da mente o humana, tantas (e cada vez mais) vezes desprezada na nossa sociedade: O que é ser criativo? No sentido pobre da palavra, a máquina foi criativa, pq foi capaz de criar algo novo. Mas para se ser criativo é necessário, acima de tudo, ser inovador. E isso a máquina não conseguiu. Ela foi igual a Bach, imitou-o, copiou-o, não o imaginou, não foi ela própria. E não sabe se aquilo que criou é bonito ou feio. Nem sequer sabe se gosta de Bach...

A segunda foi sobre a física e a música. Já se questionaram de onde vêm as notas musicais? Todos sabemos quais é que elas são, mas sabemos o que elas representam? Pois bem, as notas musicais surgem de um modo único de vibração do som, que se propaga por ondas, isto é, uma onda de som, associada a uma frequência determinada.

Foi bom.

De vez em quando não faz mal estimular o intelecto. Mantê-lo activo, vivo, desperto. É fundamental para manter a sanidade, a curiosidade e claro... a criatividade.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Stand by (me)

Estive a reler todos os textos aqui publicados.
É muito claro: o destino deste blog é trágico se não mudar de rumo.
Perdeu toda a emoção. Está seco, estéril, cinzento. Está feio, vulgar, burro.
Assim não vai continuar.
Talvez eu páre, durante uns dias, para refazer as palavras dentro de mim. Ou para desencontrar este tema esgotado e criar novos.
Vou sentar-me ao leme da minha vida e ver se lhe arranjo um destino.
Esper(a)(em) por mim.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Katharine Hepburn

Hoje toda eu sou o mais possível K. H.
(Foste hoje o meu Deus das pequenas coisas?)

"Listen to the song of life."

Thank you Ms. Hepburn!

"A Vida é um Milagre"

Hoje aconteceu uma coisa verdadeiramente espectacular!

Um daqueles momentos inesquecíveis na vida. Daqueles em que tudo pára à nossa volta e que por instantes o Mundo é só aquilo. De uma improbabilidade tão grande que ficamos com a sensação que só pode ter acontecido com o toque de algum Deus das pequenas coisas (obrigada!).

O improvável aconteceu!

Encontrámo-nos!
(Eu tinha escrito ONTEM, aqui, que isso não ia acontecer, o que torna tudo ainda mais improvável e... fantástico!)

A vida é mesmo um milagre, tens razão!

Beijo!

domingo, 1 de junho de 2008

Pragmatismo do mais foleiro que há

Ando a pensar o que vou fazer contigo.
Não sei se hei-de arrumar-te (e onde?) ou se pegue outra vez em ti (e como?).
É difícil.
Como eu desconheço o futuro, e também te desconheço a ti, não consigo prever o resultado de qualquer uma das possíveis decisões.
Se eu decidir ficar por aqui, a minha vida não se altera, não corro nenhum risco de sofrimento, e fico com a convicção de ter decidido em função dos teus feios comportamentos. E assim fico toda inchada, achando a razão do meu lado. Posso até chegar a pensar que tu foste o burro e eu a esperta. Mas o que ganho com isso? A eterna sensação de que posso ter deixado partir o homem por quem quero viver?
Se eu, por outro lado, decidir reconstruir os cacos em que está a nossa relação, corro riscos muito elevados de: 1) tu não corresponderes (e eu sozinha não posso fazer grande coisa); 2) voltar a ouvir que entre nós existe apenas amizade, e na melhor das hipóteses é isso que vai haver; 3) reconquisto a nossa espécie de relação, mas descubro-a mais superficial do que nunca; 4) apaixono-me por ti, um dia perco-te e morro de amores (diz o Vinicius: "quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?"); 5) apaixonamo-nos os dois e somos brutalmente felizes.
Existe ainda outra hipótese, que nos filmes é sempre a escolhida como vitoriosa, que é a do reencontro espontâneo - no supermercado, numa esplanada à beira-rio, na fnac, etc... Suponho que esta é a tua forma preferida (tu! que achas que nada pode ser forçado e que detestas conversas sérias!), e minha também. Mas a questão que se põe agora é saber se vale a pena arriscar aquilo que o tempo leva, à espera que isso aconteça, na sua tão reduzida probabilidade.
A quarta possibilidade é a de partir de ti a vontade de reconstruir alguma coisa (fizeste-o muito mal da única vez que tentaste, ou melhor: não fizeste nada - disseste que fazias, mas ficaste-te pelas palavras).
Acrescento: eu não sei se te quero de volta.
Ora, posto isto tão claro no papel, que faço?

sábado, 31 de maio de 2008

Vinicius



"É melhor ser alegre que ser triste,
alegria é a melhor coisa que existe."

Vinicius de Moraes

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Uma noite no Mindelo

Apetecia-me um fim de tarde de calor. O corpo moreno, com restos de mar. Uma bebida alcoólica, uns pratos com petiscos. Uma noite no Mindelo. E dois ou três amigos numa conversa feliz.

Poesia?

Fora eu a noite, e dormia contigo
Fora eu o ar, e precisavas de mim
Fora eu o vinho, que te enebria
Fora eu o teu sono, e sonhavas comigo

Chega (aqui)

Chega deste disparate que se abateu sobre nós.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ruído

Ouve, isto está no fim.
Isto já acabou, se calhar.
Não sei bem o que fazer com este fim. Não foi um final anunciado - foi um final precipitado, que só está a ser definitivo porque não conseguimos (ou não queremos?) encontrar-nos.
Preocupam-me os desencontros... Eles tornam-se irreversíveis em instantes, sem que a gente se dê conta...

Estou não sei onde, no meio do desconhecido, onde só há ruídos estranhos, que não consigo interpretar. Gira à minha volta um Mundo inóspito, onde não me sinto bem. Quero sair deste sítio e não sei como. Quero gritar e não me sai nenhum som. Chamo o teu nome e não me faço ouvir - onde estás?

Senta-te comigo num degrau e vamos conversar. Preciso de te perguntar o que se passou e de te dizer o que se passa. Incomoda-te falares comigo? Então não falamos. Mas senta-te ao meu lado e não digas nada, que eu prometo também calar-me. Vamos ter uma longa conversa de silêncio. Mas fica perto de mim, sozinho comigo o tempo que for preciso

até nos encontrarmos.

(não aguento a lonjura, a indiferença, o desaparecimento)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também...
nem eu sei quando...

Florbela Espanca

Sidney Pollack



Há pessoas que passam pelo Mundo lhe acrescentam lindíssimas imagens.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Cansei de Esperar



De hoje em diante eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar, de esperar enfim
E p'ra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim

Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela quando a gente ama e
Tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar
Chorando até o fim
E p'ra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim

Não vai ser fácil, eu bem sei
Eu já procurei, não encontrei meu bem
A vida é assim, eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém

De hoje em diante eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante em que você partiu
Destruiu nosso amor

Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar, de esperar enfim
E p'ra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim


Rossini Pinto por Caetano Veloso

Suis generis?

Parece-me que te queres afastado de mim - que é que eu te fiz?
Nada. Tens medo não sei de quê, sempre que alguma coisa nos aproxima.
Não fiz, nem vou fazer, nada que nos mantenha juntos, porque tu não o queres e porque eu também não o sei fazer e porque deixou de ser bom.
E assim vamos perder-nos.
Já estava até rendida a isto, quando te ouvi dizer - sem que eu te tivesse perguntado nada - que não era isso que querias.
Tudo bem. Vamos entender-nos, então.
Que espécie de entendimento queres tu que cada vez nos afasta mais?
Que te vai na cabeça que me é impossível de entender?

Por vezes penso se serei eu que falo outra língua, que te confunda, que não me faça entender. Mas eu nem tenho falado, não deve ser um problema meu...
O conjunto dos teus comportamentos comigo podia ser facilmente inteligível se eu te classificasse como um clássico e imaturo sacana.
Mas eu, estupidamente, continuo apenas a achar-te suis generis e especial de corrida, tolerando-te todos os erros, e assim te vou dando tempo e espaço para casualidades atrás de casualidades, quedas mal amparadas, e tiros em que eu sou o alvo, transformando-nos numa fatalidade.

(Nada disto está bem dito porque eu sinto o meu pensamento moderadamente desorganizado...)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

"Vivam os noivos!"

Pela primeira vez na minha vida (pelo menos que eu me lembre), "encomendaram-me" um texto.
Estreei-me a sentir-me artista contratado.
Era um requisito específico e de alguma responsabilidade: escrever um pequeno texto para o casamento de dois amigos de sempre. Pensei que não ia conseguir. Como é que eu ia escrever alguma coisa sobre o amor, sem ser sobre o MEU amor? Eu só sei escrever sobre mim, porque porque eu só escrevo no desabafo, na angústia...
Mas não disse que não. Disse que ia tentar.
No início não me ocorria nada mais do que "desejo-vos toda a felicidade do Mundo", "vocês merecem esta alegria" e mais uma dúzia de vulgaridades que me remetiam para um único pensamento - como é que eu vou emancipar-me desta mediocridade que existe dentro de mim?
E depois, quando menos esperava, num dia em que me preparava para dormir, vem-me à cabeça uma frase que tinha lido algures, mais umas coisas que tinha escrito em nenhures e que começaram a fazer sentido juntas e a coisa lá se deu...
Compôs-se a graça, evitou-se a desgraça!
"Aceitam-se encomendas."

terça-feira, 20 de maio de 2008

Fotografia

Velocidade de obturação e abertura do diafragma.
Daqui nasce a luz que estampa no sensor (dantes, no filme) um momento.
Mas para além da física, uma fotografia deve ser capaz de transmitir o olhar do fotógrafo, porque o momento, esse, também foi visto de uma forma única por cada um.
Isso é tudo o que se perde nos modos automáticos.
Entre o que se vê e o que se consegue fotografar, vai toda a distância que separa a sensibilidade e a técnica.
E só quando se conseguem fundir resultam numa bela fotografia - a que traduz exactamente o que o fotógrafo quis ver.

domingo, 18 de maio de 2008

Que é que tu queres....?

Tu baralhas-me tanto!...
Tu vais embora e eu tenho de me despedir de ti, e depois voltas e queres que eu te receba, sem que eu possa dizer nada sobre o que se passou, sobre o que senti entretanto; antes, durante e depois da amargura!...
Tornas-me mais difíceis os dias e tornas-me cada vez mais impossível gerir as emoções que ainda tenho contigo.
Atiraste umas palavras para o ar e pensas que com isso lambeste todas as minhas feridas, resolveste o assunto... Eu não esperava sequer que tu quiseses resolver alguma coisa. Pensei que não te darias ao trabalho (fosse eu uma grande amiga e não mais uma que te passou pelos sorrisos).
Quase acreditei.
Permiti-me ao entendimento, mas afinal tu não querias dizer mais nada.
Queres apenas ficar bem na fotografia, seguir em frente sem olhar para trás. Mas eu não consigo acompanhar-te o passo, desculpa... Tu andas muito mais rápido que eu!... E quando eu já estou longe, no meu ritmo, tu voltas a aparecer no meu caminho, chamando-me não sei para onde...
Só sei que não é para ir contigo...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

I've missed you

Qualquer dia, quando menos esperar, tropeço em ti.
Faço-te uma festa no cabelo, dou-te um alegre beijo na cara e digo-te como

Tive saudades.

Vitória de Samotrácia



Hoje eu sinto-me assim!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Até amanhã!

Vou vestir o pijama e comer queijo com marmelada. E vou ver na cama o "Il Postino". E vou embriagar-me com esse sono manso que me adormece. E não vou pôr o despertador para amanhã - vou deixar-me acordar e espreguiçar-me como um gato! Torcer-me na cama, sorrir debaixo dos lençois, inspirar fundo e dar um pulo!

Amado Mio

Amado mio
Love me forever
And let forever begin tonight
Amado mio
When we're together
I'm in a dream world
Of sweet delight
Many times I've whispered
Amado mio
It was just a phrase
That I heard in plays
I was acting a part
But now when I whisper
Amado mio
Can't you tell I care
By the feeling there
'Cause it comes from my heart
I want you ever
I love my darling
Wanting to hold you
And hold you tight
Amado mio
Love me forever
And let forever
Begin tonight

(...)

Pink Martini

Hallelujah

Podíamos ter casado ao som desta música e dançado toda a noite o "amado mio", numa pequeníssima e feliz festa, onde só estávamos nós os dois, numa noite quente de Verão. E vivíamos numas águas furtadas da Sé, ou da Baixa, num quarto com mezanine, que não precisava ter mais nada se não

música.

Depois de ti

Lamento este desencontro, que nos proíbe de elevarmos exponencialmente a nossa emoção pela vida, juntos.

Mas o melhor é saber que posso, e que vou continuar sem ti, e que tudo pode ser maravilhosamente bom sem ti, e que vou continuar a apaixonar-me por súbitos momentos de vida, e que consigo gargalhar e dobrar o riso sem ti, e que tudo o que eu tinha antes de ti vai permanecer depois de ti, e que não me levaste nada.


"Nothing is gonna change my world" Across the Universe - John Lenon by Fiona Apple

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Querer para Ver

Talvez tu nunca venhas a ler-me aqui.
E talvez por isso, ou por milhares de outros momentos, tu nunca me venhas a conhecer e a saber como eu gosto de rir. E de adormecer, de entorpecer à lareira. De amar. De escrever. De perder tempo a construir ideias.
Talvez tu nunca passes um Natal comigo, para saberes como eu gosto do Natal.
Talvez tu nunca acordes comigo, para saberes como eu sou muito mais doce ao acordar.
Talvez tu nunca me queiras o suficiente para veres os defeitos que eu realmente tenho, em vez de veres esses que eu não tenho.
Talvez tu nunca precises de mim num dia em que estejas frágil, para sentires como eu sou forte.
Talvez tu nunca me vejas sozinha, a pensar em ti.
Talvez tu nunca me desejes o suficiente para me veres linda e me sentires tua.

Tinhas de ser tu a querer, para veres tudo isto.

Inevitável

Quantas vezes pensas em mim?

À Paris


Se eu pudesse escolher o que fazia hoje,


Beijava-te nesta rua.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Lado vazio

As palavras saem-me apenas do lado da angústia. Mas há um lado em mim que se deixa invadir por uma apatia calmante. Há uma parte de mim que está embotada, amorfa, desligada. Desligaste-me também a alegria, a vontade, a emoção. Olho para esse lado que existe dentro de mim e penso que só pode ser o espaço que não chegaste a ocupar. Quero dormir nele, pois nele não há barulho, não há luz, nem há cheiro. Não há o que pensar. Nele só há o vazio. O chão é de pedra, fria e dura. Não há conforto.
Se ao menos te deitasses comigo!...

Não consigo o que foi

Não consigo ouvir os teus CD's, nem o do Jeff Buckley, nem pensar em ver o Magnólia. Não consigo ler as tuas mensagens. Não consigo olhar para trás e ver como estava a ser bom.
Não consigo sequer andar pela minha casa, porque ainda lá estão os teus pés. Não consigo ter no frigorífico a tua hortelã.
Não consigo dormir, com medo que não me acordes às 6h30, com um guarda-chuva verde-alface e um abraço no ar.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Indisponibiliza-te comigo

Gosto de ti.
Posso deixar de gostar amanhã. E vou deixar se tu não me quiseres.
Não é de não conseguir esquecer-te que tenho medo. Já esqueci outros, antes de ti.
Tenho medo é de te esquecer.
Esquecer-te por nada, para nada.
Esquecer-nos para quê?
Se nos esquecermos, perder-nos-emos na vida. Porquê?

Arrisca a tua indisponibilidade comigo.
Leva o tempo que precisares, eu espero.
Um dia vais acordar e vais estar disponível.

Nesse dia casamos.

Transido

transido:
adj.,
impregnado;
repassado (de susto, dor ou frio);
ant.,
passado;
que já foi

Um dia

Podíamos ter-nos amado mais cedo?
Poderemos amar-nos mais tarde?
Agora não nos amamos, por isso não podemos agora.

Um dia quero que me ames. Que me descubras. Que me tenhas contigo.
Quero fechar-te os olhos com os meus, entrelaçar-te os dedos em mim, sentir-te durante a noite. Exigir-te.

Ama-me um dia. Pode ser tarde de mais, mas ama-me. Não importa quando. Só me importa que me ames um dia.

Um dia.
Agora não. Agora não vale nada.

No meio desta confusão de horas que me percorre, de novidades que me estão a ensurdecer, o meu amor não tem nenhuma oportunidade. Está em pânico, transido de medo.

Não é amor, é medo de te perder.

domingo, 11 de maio de 2008

Voltas?

Escrevo hoje como se te vomitasse.

Porque me é muito difícil ter-te cá dentro e em mais lado nenhum.

Dói-me como se não houvesse amanhã. Dói-me porque acho que não vai haver amanhã.
Não aguento perder-te. E voltar a ter-te parece-me impossível.

Como?
Vais voltar?
E eu vou querer-te?

Não te percas de mim, meu futuro-amor. Não me queiras perder.

Olha-me. Fixa-me. Memoriza-me. Não me esqueças.

Volta.
Não outra vez, mas de novo.
Volta do princípio.

Parar aqui. Não por aqui.

O que quer que fosse que tínhamos, acabou.
Acabou da forma como o conhecíamos, como existia.
Podemos iniciar qualquer coisa de novo.
Mas não podemos continuar.
Isso faz sentido?

Sobreviver-te

Há dias em que sobreviver-te me parece impossível.

Não vales nada pois não? Comigo, não vales nada.
O pior é isso.
É saber que vales muito mais sem mim do valeste comigo.

Porquê comigo? Não sabes que eu era para preservar? Não sabes que não podias magoar-me, nem perder-me?

Dura, a realidade que me estás a oferecer.
Duros, estes dias de desassossego.

sábado, 10 de maio de 2008

Des-existir

Vou abandonar-te.
Ainda não tenho a certeza se é o que quero, mas não consigo ter-te comigo.
Abandono-te para o vazio. Abandono-te para nada, por nada.
Fazes-me perder essa doçura que era ter-te no futuro, sem razão nenhuma.
Deixa-me só olhar para ti um instante (que te peço infinito). Preciso desconstruir a tua imagem para partir sem ela. Não quero levar um único momento teu. Quero apagar-te, porque acho que só se desapareceres consigo continuar. Deixa-me olhar bem para ti, para nunca mais me lembrar.
Abandona-te comigo. Vamos dissolver-nos, desistir (ou des-existir), para nos reencontrarmos depois, daqui a nada.

Adeus, meu amor

Tinha-te para te amar, um dia mais tarde. Quando fosse. Sem pressa.
Mas tinha-te comigo. Pensava-te comigo.
Afinal não estavas. Nunca estiveste, dizes tu.
Como podes dizer-me isso?
Então quem esteve comigo?
Não devias ter-me feito isto. Não a mim.
Traíste o nada que havia entre nós. E ainda dispensaste o que poderia haver. Nessa noite, nessa madrugada e nessa tarde, fugiste-me entre os dedos. Tudo à nossa volta foi mau, feio, delirante. Aquela montanha-russa descontrolada que eu não consegui travar levou-te de mim e eu não sei se aguento sabê-lo.
Porquê desta maneira?
Da forma mais fútil, mais vulgar de todas.
O que EU tinha contigo era tudo menos vulgar.
Despeço-me de ti agora. Despeço-me do que te imaginei, do que EU tive contigo.
Sou só eu a despedir-me, porque TU nunca estiveste comigo.
Posso não conseguir evitar vir a amar-te, mas jamais será como até agora.

Nada?

Não havia nada para ti?
Ou agora é-te mais fácil pensares e dizeres-me que não havia nada?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Despir-me de ti

Caminhei pausadamente até ao carro, sem pressa, nem fardo. Apenas caminhei. Abri a porta do lado do passageiro, porque a do lado do condutor se avariou e tu não chegaste a arranjá-la. Sentei-me, abandonei a carteira ao meu lado, liguei a ignição e vim embora para casa. O silêncio da viagem falou-me de calma. Por pior que fosse a tempestade, tinha para onde voltar. E esse ninho quente recebe-me indiferente ao que se passou lá fora. Meti a chave na porta. Nunca deixo a angústia do lado de lá; arrasto-a para dentro para não me esquecer que ainda existe. Pousei a carteira, as chaves e o iPod, que agora é como um inimigo. Não fui ao frigorífico porque ainda lá está a hortelã que me puseste na orelha. Devia comer alguma coisa, mas não me apeteceu. Passei a mão pela cara e pelo cabelo. Senti na ponta dos dedos o cansaço de te trazer nas minhas costas nas últimas horas. Estava de pé, ainda à entrada, e olhei de soslaio para a sala – quase te vi. Não senti grande coisa. Aceitei que será assim por uns tempos. Fui até ao quarto, sentei-me na beira da cama. Outra vez a mão pelo cabelo e a cara pousada na mão. Tirei os brincos, o colar e o relógio.Descalcei-me e despi-me em velocidade cruzeiro. Felizmente não te vejo no meu corpo. Deitei para lavar a camisa de noite que te viu, e a roupa que me cobriu o corpo contigo. Um pé na banheira, depois o outro. Agora a água quente a limpar-me, o cheiro bom do champô, os músculos a cederem. Penso: choro agora? Não, agora não, daqui a pouco. Saí, sequei-me e vesti um pijama lavado. Entrei para o edredon e quando punha o despertador vi as minhas mãos: faltava tirar o verniz das unhas. A última coisa em mim que te tinha tocado. Levantei-me e fui buscar acetona. Não queria deitar-me com restos de ti.

"Consequences, David..."


Não me emprestes mais filmes desses acabam mal. Transformaste a ficção nesta realidade cruel.
Porque é que entraste no carro?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Tubarão-baleia

- Anda ver o tubarão-baleia!
- Vou! Não tenho medo?
- Não!
E foram. Mergulharam juntos no Índico como haviam feito toda a vida, desde que se tinham tornado irmãos. E amigos.
Ele foi à frente e ela atrás dele. Nadaram, esborratando as cores que só existem no mar. Tinham passado 50 anos e estava (quase) tudo na mesma. A alegria, a curiosidade, a vontade de viver e de ver a Natureza, que os tinha mantido juntos na vida.
Dentro do mar, não tinham mais do que 15 anos. Riram-se de modo subaquático, fizeram gestos que mostravam o que os encantava e no fim, voltaram à superfície.
Os mesmos genes, a mesma história, e a mesma vontade de continuarem juntos.
Até debaixo de água.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Quando me amas?

Quanto tempo vais levar para me quereres para ti?
Aguentarei a espera?
E isto frágil que temos, resistirá?
Porque consegues viver sem mim?
Queria não ter de esperar mais. Queria abraçar-te sem medo de abraçar o vazio. Queria procurar-te com a certeza que te encontrava. Queria que me aparecesses para ficar. Queria já saber o bom resultado.
Queria saber-te meu.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Tempo

Hoje o tempo parou.
Isso significa que não há tempo, ou que o tempo é infinito?
O tempo parou cá em casa.
Todos os relógios estão parados e eu não percebo o que me querem dizer. Marcam horas diferentes e nem sequer são horas certas. Não sei há quanto tempo está o tempo parado. Perdi a noção do tempo. Será que parou há muito tempo? E o que se passou entretanto, passou-se ou não? É que não existe entretanto se não existir tempo.
O que se deve fazer quando o tempo pára? Ligo para onde a pedir ajuda? E se o tempo deles não chega para mim? Posso ficar quieta à espera que o tempo passe. Mas se o tempo está parado não vai passar. Se o tempo está parado, não adianta fazer nada, porque nada vai acontecer. É o tempo que faz com que tudo aconteça. O tempo é o catalisador de todas as reacções. E de todas as relações. Nada acontece sem tempo.
Se o tempo não passasse sempre, nesta cadência inexorável, o vazio era o fim. A estagnação era a ausência de tudo. Deixaria de haver vida. E morte. Como poderia simultaneamente não haver vida nem morte? Que estado de existência seria esse? Que seria de nós se nos soubéssemos assim, infinitamente imutáveis? Que seria do Mundo sem tempo?
O tempo parado.
Uma chuva a meio da queda. Aviões suspensos no ar. Andorinhas a meio do caminho. Uma grávida para sempre. Moribundos que não morrem. Árvores sem fruto. Flores que não murcham. Rios parados. Mares sem maré. Dia ou Noite?
Sem tempo também não há música. Há notas soltas, há sons surdos, mas jamais haverá música.
Sem tempo não há conversas. Diálogos.
Não há alvorada nem pôr-do-sol.
Sem tempo há o quê? Espera-se o quê?, se sem tempo também não há espera?
Não há objectivos, não há história.
Tempo é evolução, transformação e continuidade.
O tempo é o princípio de tudo. E o fim de tudo. É a estufa, a encubadora do Mundo.
O tempo está parado cá em casa e eu tenho medo que seja só cá em casa. Tenho medo de ir à janela e já ser Inverno. E de haver novos velhos e novos novos. Só novidades.
É indispensável que eu volte outra vez para onde o tempo passa. Não posso perder a passagem do tempo, se não não vou perceber nada, não vou participar.
Talvez seja só falta de pilhas. Numa coincidência angustiante.
Vou sair rápido para apanhar o tempo e comprar as pilhas. O tempo tem de continuar.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Ciao, Bella

Adios, Cariño.

domingo, 27 de abril de 2008

E se eu te amar?

E se de repente eu decidir que te amo?
Isso pode acontecer a qualquer momento, e depois?
Vais assustar-te, já sei. Vais querer fugir com medo. Medo de quê? Que o meu amor te absorva? Medo que o meu abraço te prenda? Medo de descobrires que me amas?
Não tenhas medo. O meu beijo jamais te sufocará. Eu quero respirar contigo, não tirar-te o fôlego. Isso é para quem fica pouco tempo. Eu quero ficar para sempre.
És igual a uma criança feliz. Gostas quando te apetece, se te apetece. As crianças não amam. Gostam, simplesmente. Amar é para quem sofre.
Amar é ter medo do fim.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Levitar


Eu hoje não ando!... Eu LE-VI-TO!