A vida ontem não foi grande coisa.
Há dias assim, por boa que seja a vida, ele há dias que não a encaramos bem.
A vida... Mas o que é isso? A vida é o quotidiano? Ou faz-se dos dias únicos? A vida o que é? Existe uma vida para cada um do nós? Ou existe uma vida para todos os que coexistem no mesmo tempo? É que cada acção de cada um de nós, chega ao outro como uma propagação de ondas. A bolha em que cada um de nós existe, está fundida com as bolhas dos outros.
O que controla a atracção entre as bolhas?
Comportamentos e pensamentos, dos mais assumidos aos mais inconscientes, do passado e do presente. E porque tudo o que pensamos e fizemos no passado permance sob a forma de pessoas em bolhas que se afastam e aproximam, se fundem ou de desvanecem da nossa própria bolha, o caminho para alterar as bolhas que tocam a nossa é pelo menos tão longo como o que nos trouxe até aqui.
Exite uma bolha que, num dado momento, queremos mais que as outras. Tão fundida com a nossa que quase parecemos 2 na mesma bolha. Mas o segredo para que essa bolha, lá ao longe, chegue até nós, é conseguir mexer os pensamentos e os comportamentos, qual jogo de marionetes, de forma tão correcta que a fusão se dê perfeita, suave, e resistente.
PS.: não gosto deste texto.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Nascer
Já existes na minha vida, mais ou menos real.
Só falta que saibas isso e sintas o mesmo, e não queiras mais abandoná-la.
A nossa existência colectiva é mais do que a de cada um de nós, mas ainda é frágil, girina, volátil.
Desaparecerá se não a cuidarmos.
Digo que faço tudo, mas faço apenas o que posso.
Preciso de ti para nos amarmos.
Quando nos amarmos, nascemos.
Só falta que saibas isso e sintas o mesmo, e não queiras mais abandoná-la.
A nossa existência colectiva é mais do que a de cada um de nós, mas ainda é frágil, girina, volátil.
Desaparecerá se não a cuidarmos.
Digo que faço tudo, mas faço apenas o que posso.
Preciso de ti para nos amarmos.
Quando nos amarmos, nascemos.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Desejo
Que faço eu ao amor, sem ti?
Porque te demoras, se só perdemos tempo, se só atrasamos a felicidade suprema?
A vida passa, corre depressa, e não quero mais fazê-la sem ti.
Serei a tua mulher, numa doçura perfeita, que carameliza os abraços e te sossega as noites e o teu desejo.
O nosso desejo.
Que então será um só, intenso e eterno.
Porque te demoras, se só perdemos tempo, se só atrasamos a felicidade suprema?
A vida passa, corre depressa, e não quero mais fazê-la sem ti.
Serei a tua mulher, numa doçura perfeita, que carameliza os abraços e te sossega as noites e o teu desejo.
O nosso desejo.
Que então será um só, intenso e eterno.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Saudades
Meu amor,
Tenho sentido a tua falta, como se me lembrasse de dormir contigo.
Sinto sempre como se estivesses para chegar e não chegas.
Vejo-te de relances, névoas, como se passasses por mim.
Sinto-te comigo no resto da vida, mas ainda sem ti. Isso faz-me falta.
Faz-me tanta falta não seres da minha vida!...
Quero-te hoje para agora e para sempre. Quero-te já, pq o futuro demora e eu já não posso sem ti. Quero abraçar-te e sentir que me serves, não estás grande nem pequeno. Quero saber ao que cheiras para não mais me esquecer. Quero ver-te ao longe e saber, ter a certeza que olhas para mim com o mesmo prazer como se estivessemos perto. Quero-te apaixonado por mim como só eu sei estar.
Faz-me tanta falta não seres da minha vida!...
Tenho saudades de ainda não ter sido tua.
Tenho sentido a tua falta, como se me lembrasse de dormir contigo.
Sinto sempre como se estivesses para chegar e não chegas.
Vejo-te de relances, névoas, como se passasses por mim.
Sinto-te comigo no resto da vida, mas ainda sem ti. Isso faz-me falta.
Faz-me tanta falta não seres da minha vida!...
Quero-te hoje para agora e para sempre. Quero-te já, pq o futuro demora e eu já não posso sem ti. Quero abraçar-te e sentir que me serves, não estás grande nem pequeno. Quero saber ao que cheiras para não mais me esquecer. Quero ver-te ao longe e saber, ter a certeza que olhas para mim com o mesmo prazer como se estivessemos perto. Quero-te apaixonado por mim como só eu sei estar.
Faz-me tanta falta não seres da minha vida!...
Tenho saudades de ainda não ter sido tua.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Meu amor
Meu amor,
Tu ainda não sabes, mas nós já nos amamos.
Amamo-nos agora para o futuro. E vai ser tão bom...
Meu amor, tu ainda não sabes, mas eu já durmo contigo, já me misturo contigo, já vivo contigo.
Meu amor, tu ainda não me viste desde que decidimos amar-nos, mas eu já me vejo tua.
Meu amor, tu não te dás conta, mas eu espero a tua presença a cada minuto, e a tua existência preenche os meus vazios.
Meu amor, para quando?
Esperamo-nos há algum tempo. Esperaremos mais?
Meu amor, tu ainda não sabes como eu sou, mas eu quero-te agora.
Meu amor, não me demores.
Pedi-te e apareceste. Agora ficas comigo.
Tu ainda não sabes, mas nós já nos amamos.
Amamo-nos agora para o futuro. E vai ser tão bom...
Meu amor, tu ainda não sabes, mas eu já durmo contigo, já me misturo contigo, já vivo contigo.
Meu amor, tu ainda não me viste desde que decidimos amar-nos, mas eu já me vejo tua.
Meu amor, tu não te dás conta, mas eu espero a tua presença a cada minuto, e a tua existência preenche os meus vazios.
Meu amor, para quando?
Esperamo-nos há algum tempo. Esperaremos mais?
Meu amor, tu ainda não sabes como eu sou, mas eu quero-te agora.
Meu amor, não me demores.
Pedi-te e apareceste. Agora ficas comigo.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Eleitos
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Em primeiro lugar, os resultados traduzem uma grande desilusão com a política. E ainda mais um total desconhecimento da política Europeia.
Em segundo lugar, traduzem o descontentamento com a situação nacional, porque não sabem, ou não percebem, ou não sentem que a situação não é só nacioonal, é Ocidental.
Não sei se há lugar para que estes resultados expressem alguma coisa acerca do candidato, mas ainda assim, acho que se pode dizer que entre o candidato e o Europeísta, existiu um fosso que afastou os eleitores.
Quero com isto dizer que Vital Moreira é muito melhor Europeísta, Eurodeputado, do que foi candidato.
E isso, só por si deve ser suficiente paara nos deixar felizes. Foi eleito e fará um excelente trabalho.
A lamentar só temos os que não foram eleitos.
terça-feira, 12 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Flu

Eu sou pelos porcos.
A gripe "normal" mata anualmente 26.000 pessoas nos EUA.
A SIDA, a tuberculose multiressistente, o cancro do pulmão e o cancro do colo do útero matam um número com muitos zeros, há muitos anos.
A fome, a falta de água potável e a carência de cuidados básicos de saúde matam África.
A guerra mata crianças, mulheres, homens, velhos, jovens, inocentes e culpados, como se fosse uma queimada em lume brando e (quase) silencioso.
A violência doméstica mata 1 mulher por dia em Portugal.
A guerra mata crianças, mulheres, homens, velhos, jovens, inocentes e culpados, como se fosse uma queimada em lume brando e (quase) silencioso.
A violência doméstica mata 1 mulher por dia em Portugal.
A Gripe Suína matou, até agora, 20 pessoas em todo o Mundo, e o Mundo tapou a cara com máscaras.
A OMS fez o que devia: inteirou-se dos riscos, alertou para eles, preveniu o contágio e assim, as fatalidades. Gastou muito dinheiro, mas gastou-o bem, pois nunca saberemos como teria sido se a contigência fosse negligenciada.
Mas... os cidadãos e a comunicação social...?
Mais uma vez o histerismo, a falta de senso, de informação e até de pudor...
quinta-feira, 9 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Namaste
Apesar de estares noutra parte do Mundo, tenho pensado em ti de uma forma que te sinto próximo.
Não por te mostrares próximo -não mostras - mas porque eu já criei aquele fio invisível com comprimento infinito, que me permite pensar em ti e sentir-te perto.
Não por te mostrares próximo -não mostras - mas porque eu já criei aquele fio invisível com comprimento infinito, que me permite pensar em ti e sentir-te perto.
quarta-feira, 25 de março de 2009
A(o)mar
Apetecia-me estar sentada naquela rocha preta e agreste, a deixar-me apodrecer pela humidade do mar.
Ouvir o crescente-decrescente da rebentação e salgar os dedos, os braços, o corpo todo...
Parar o derretimento da pele em brasa com o frio do mar. E colar a areia seca nos meus pés molhados.
E depois beijar-te.
Abraçar-te.
Escorregar em ti.
Trepar o teu tronco com os meus braços, os teus joelhos com os meus pés calçados de areia. Apertar pedaços dos teus músculos entre os meus dedos. Comer-te a parte de trás das orelhas, do teu pescoço. Provar-te a língua e adormecer quente, estendida em ti.
Isso é que era um pedaço de vida bem passado...
Comemoro o post nº100 com um novo nome para o blog. Mais adequado à Primavera...
Ouvir o crescente-decrescente da rebentação e salgar os dedos, os braços, o corpo todo...
Parar o derretimento da pele em brasa com o frio do mar. E colar a areia seca nos meus pés molhados.
E depois beijar-te.
Abraçar-te.
Escorregar em ti.
Trepar o teu tronco com os meus braços, os teus joelhos com os meus pés calçados de areia. Apertar pedaços dos teus músculos entre os meus dedos. Comer-te a parte de trás das orelhas, do teu pescoço. Provar-te a língua e adormecer quente, estendida em ti.
Isso é que era um pedaço de vida bem passado...
Comemoro o post nº100 com um novo nome para o blog. Mais adequado à Primavera...
sábado, 21 de março de 2009
Aos noivos (2)

Hoje fiz as malas devagar – tinha a vida pela frente. Juntei meia dúzia de coisas úteis, olhei-te de longe, afaguei-te o cabelo e ajeitei-te a roupa.
E pus-te lá dentro. Partes comigo hoje. És a minha bagagem.
Levo pouca tralha, além de ti. Já sabes tudo o que levo. Conheces todas as minhas coisas.
Levo-nos a nós e parto para a vida.
Juntos será sempre melhor. Porque separados não existíamos. Eu sou assim porque te tenho – não para mim, mas comigo.
Vens comigo, meu amor? Sem medo.
O meu abraço jamais te prenderá, o meu beijo jamais te sufocará.
Eu não quero quero tirar-te o fôlego. Quero respirar contigo.
Vamos juntos para Sempre.
A nossa viagem começa esta noite.
Sejam Felizes!
quinta-feira, 19 de março de 2009
1 ano
Hoje este blog faz 1 ano.
Penso que é um aniversário aldrabado porque, se bem me lembro, só o criei em Maio, embora tenha publicado umas coisas com as datas em que realmente tinham sido escritas, o que acabou por fazer com que a primeira mensagem ficasse com a a data de Março. Assim sendo, lá para Maio festejamos isto outra vez.
É um blog que disso tem muito pouco. Conhecem-no apenas raras pessoas, não tem links, nem está divulgado em redes do cyber espaço. Também não é actualizado com frequência, já mudou de nome 5 vezes, e de aspecto outras tantas. Não tem qualidade particular, nem defeito de maior. É um ilustre desconhecido, fiel depositário dos meus estados de alma, diário de bordo (bom nome, fica para a próxima), confidnte silencioso.
Alguns dos meus grandes amigos conhecem-no e visitam-no amiúde e menos ainda deixam discretíssimos comentários. Não creio que faça parte das suas vidas, mas as suas vidas fazem parte do blog.
É assim que gosto dele: sereno, suave, etéro, invisível, subtilmente querido.
O blog foi criado por necessidade, num momento de paixão. Mas tem sobrevivido, apesar da monotemática, à ondulante passagem dos dias, às outras paixões e à pouca disponibilidade emocional com que às vezes o contamino.
Sobrevive como eu.
Porque o que nos alimenta é a esperança, a confiança de que continuar é melhor do que acabar, de que a evolução é superior à estagnação, de que o construir se faz da destruição.
Porque da Vida, o melhor é vivê-la, assumi-la, senti-la.
Tê-la pela frente mas, sobretudo, tê-la hoje.
A todos os que conhecem, viram, leram ou comentaram este blog, muito obrigada!
Penso que é um aniversário aldrabado porque, se bem me lembro, só o criei em Maio, embora tenha publicado umas coisas com as datas em que realmente tinham sido escritas, o que acabou por fazer com que a primeira mensagem ficasse com a a data de Março. Assim sendo, lá para Maio festejamos isto outra vez.
É um blog que disso tem muito pouco. Conhecem-no apenas raras pessoas, não tem links, nem está divulgado em redes do cyber espaço. Também não é actualizado com frequência, já mudou de nome 5 vezes, e de aspecto outras tantas. Não tem qualidade particular, nem defeito de maior. É um ilustre desconhecido, fiel depositário dos meus estados de alma, diário de bordo (bom nome, fica para a próxima), confidnte silencioso.
Alguns dos meus grandes amigos conhecem-no e visitam-no amiúde e menos ainda deixam discretíssimos comentários. Não creio que faça parte das suas vidas, mas as suas vidas fazem parte do blog.
É assim que gosto dele: sereno, suave, etéro, invisível, subtilmente querido.
O blog foi criado por necessidade, num momento de paixão. Mas tem sobrevivido, apesar da monotemática, à ondulante passagem dos dias, às outras paixões e à pouca disponibilidade emocional com que às vezes o contamino.
Sobrevive como eu.
Porque o que nos alimenta é a esperança, a confiança de que continuar é melhor do que acabar, de que a evolução é superior à estagnação, de que o construir se faz da destruição.
Porque da Vida, o melhor é vivê-la, assumi-la, senti-la.
Tê-la pela frente mas, sobretudo, tê-la hoje.
A todos os que conhecem, viram, leram ou comentaram este blog, muito obrigada!
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Querer no mesmo tempo
Sinto qualquer coisa de invisível que ainda não sei o que é, porque tenho medo que, quando souber, se transforme.
Parece-me que estou mesmo à espera que aconteça, mas que não posso, ou não devo, fazer nada por isso, já que tudo se pode desmoronar com o mais delicado dos meus gestos.
Então estou imóvel. Olhar perplexo, postura alerta, metabolismo no máximo.
Mas quem me olha vê-me impávida. Não serena.
Começo a ter vontade de me dar. De me partilhar com um só. Começo a desenhar esse que também quero que se partilhe comigo.
Mas não auguro nada.
Não tenho nenhum sinal de que me queira.
E eu quero ser desejada.
Apetecia-me esse fervor que acontece de vez em quando na vida de duas pessoas que se querem no mesmo tempo.
Apetece-me esse vício de estar com alguém.
Apetece-me amar.
Parece-me que estou mesmo à espera que aconteça, mas que não posso, ou não devo, fazer nada por isso, já que tudo se pode desmoronar com o mais delicado dos meus gestos.
Então estou imóvel. Olhar perplexo, postura alerta, metabolismo no máximo.
Mas quem me olha vê-me impávida. Não serena.
Começo a ter vontade de me dar. De me partilhar com um só. Começo a desenhar esse que também quero que se partilhe comigo.
Mas não auguro nada.
Não tenho nenhum sinal de que me queira.
E eu quero ser desejada.
Apetecia-me esse fervor que acontece de vez em quando na vida de duas pessoas que se querem no mesmo tempo.
Apetece-me esse vício de estar com alguém.
Apetece-me amar.
sábado, 31 de janeiro de 2009
Aos noivos (1)
Encontrei-te no Mundo, num acaso perfeito, como se estivesse combinado há muito tempo.
Desde sempre?
Esperei-te toda a vida. Chegaste sem atraso. Vieste para ficar.
Para sempre?
Em qualquer lugar do Mundo. Desde que estejas comigo.
Aqui?
Vai, mas volta.
A nossa vida será o encontro, o regresso, a união. Porque a nossa vida é só uma.
Estaremos juntos em qualquer lugar do Mundo, e o Mundo nunca será grande demais para nós. Nem o tempo de menos.
Agora estás aqui, mesmo ao meu lado.
Meu amor.
Desde sempre?
Esperei-te toda a vida. Chegaste sem atraso. Vieste para ficar.
Para sempre?
Em qualquer lugar do Mundo. Desde que estejas comigo.
Aqui?
Vai, mas volta.
A nossa vida será o encontro, o regresso, a união. Porque a nossa vida é só uma.
Estaremos juntos em qualquer lugar do Mundo, e o Mundo nunca será grande demais para nós. Nem o tempo de menos.
Agora estás aqui, mesmo ao meu lado.
Meu amor.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Efeito placebo
O início de um novo ano, por muito renovador que pareça ser, é-o apenas como efeito placebo.
Na realidade, a vida continua.
Na mesma.
O que muda, não muda porque acabou um ano e começou outro.
Muda porque o tempo passa.
Seja como for, o efeito placebo existe (dizem que é cerca de 20%).
Aproveitemo-lo.
É que se não forem as pequenas coisas, invisíveis, subjectivas, latentes, etéreas, subtis, não muda nada.
Ou melhor, muda tudo.
Porque o tempo transforma todas as coisas.
No meu caso particular, a entrada no novo ano civil, acompanha-se de uma mudança grande,
(à data não imaginava o quão grande seria, augurava-a boa e fez-se triste, esperava-a com entusiasmo, mas sucumbi)
um projecto para a vida
(de vida ou devido?)
Se não confiar no placebo, confio em quê?
Na realidade, a vida continua.
Na mesma.
O que muda, não muda porque acabou um ano e começou outro.
Muda porque o tempo passa.
Seja como for, o efeito placebo existe (dizem que é cerca de 20%).
Aproveitemo-lo.
É que se não forem as pequenas coisas, invisíveis, subjectivas, latentes, etéreas, subtis, não muda nada.
Ou melhor, muda tudo.
Porque o tempo transforma todas as coisas.
No meu caso particular, a entrada no novo ano civil, acompanha-se de uma mudança grande,
(à data não imaginava o quão grande seria, augurava-a boa e fez-se triste, esperava-a com entusiasmo, mas sucumbi)
um projecto para a vida
(de vida ou devido?)
Se não confiar no placebo, confio em quê?
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Prova Oral
Hoje ouvi o programa da Antena 3, por indicação de uma Libelinha minha amiga.
Prova Oral. O convidado era Carlos Amaral Dias e o tema o Amor.
Foi excelente. Porque foi hilariante e simultaneamente rico em conteúdo, intelectual, com argumentos e apontamentos históricos que justificam muitos dos factos que se passam à volta desta coisa das relações amorosas da cultura de hoje, de ontem e da de entretanto.
Muitas verdades foram ditas, e ouvi-las desdramatizou-me. A gargalhada de nós próprios. Nada pode ser mais sábio.
A saber:
A verdade de um ouvinte que resolveu citar Ornatos Violeta
"O amor é uma doença quando procuramos nele a nossa cura."
A verdade do próprio Carlos Amaral Dias
"A componente erótica [da relação sexual entre um homem e uma mulher] acontece quando a mulher que existe dentro do homem faz amor com o homem que existe dentro daquela mulher."
Eu achei aquela conversa simplesmente genial.
Prova Oral. O convidado era Carlos Amaral Dias e o tema o Amor.
Foi excelente. Porque foi hilariante e simultaneamente rico em conteúdo, intelectual, com argumentos e apontamentos históricos que justificam muitos dos factos que se passam à volta desta coisa das relações amorosas da cultura de hoje, de ontem e da de entretanto.
Muitas verdades foram ditas, e ouvi-las desdramatizou-me. A gargalhada de nós próprios. Nada pode ser mais sábio.
A saber:
A verdade de um ouvinte que resolveu citar Ornatos Violeta
"O amor é uma doença quando procuramos nele a nossa cura."
A verdade do próprio Carlos Amaral Dias
"A componente erótica [da relação sexual entre um homem e uma mulher] acontece quando a mulher que existe dentro do homem faz amor com o homem que existe dentro daquela mulher."
Eu achei aquela conversa simplesmente genial.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Doença
Hoje estou farta de ti.
Farta de pensar em ti e de me cansar contigo.
Hoje não te quero jamais e quero nunca mais sentir-te.
Aliás hoje nem te sinto, nem te penso, nem nada.
Hoje só estou farta de ti e olho para tudo o que aqui está escrito e parece-me escrito por outras mãos que não as minhas e tudo me parece um grande exagero que me faz adoecer e sentir que tens sido a minha doença.
Mas não, a doença sou eu, por te permitir em mim, tão demoradamente como se não houvesse mais nada a preservar, como se não estivesses a definhar-me tudo só por teres existido em mim.
Tudo errado. Houveste, e depois? Antes assim. Prefiro isso a nada. Foste embora, e então?
Era mesmo preciso eu pensar que o Mundo se desintegrava sem ti?
Pouco inteligente, pouco amadurecido e muito pouco contemporâneo.
Farta de pensar em ti e de me cansar contigo.
Hoje não te quero jamais e quero nunca mais sentir-te.
Aliás hoje nem te sinto, nem te penso, nem nada.
Hoje só estou farta de ti e olho para tudo o que aqui está escrito e parece-me escrito por outras mãos que não as minhas e tudo me parece um grande exagero que me faz adoecer e sentir que tens sido a minha doença.
Mas não, a doença sou eu, por te permitir em mim, tão demoradamente como se não houvesse mais nada a preservar, como se não estivesses a definhar-me tudo só por teres existido em mim.
Tudo errado. Houveste, e depois? Antes assim. Prefiro isso a nada. Foste embora, e então?
Era mesmo preciso eu pensar que o Mundo se desintegrava sem ti?
Pouco inteligente, pouco amadurecido e muito pouco contemporâneo.
domingo, 19 de outubro de 2008
Promets-moi
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Pilar & Saramago
Estive a ler a entrevista que Pilar del Rio fez a José Saramago, publicada na revista do Expresso desta semana.
Jornalista e escritor. Mulher e marido.
Ambos os papeis se encontram ali.
No início parece haver um distanciamento da condição de casal que os une, ficando "só" a vantagem de se conhecerem muito bem, como se fossem dois muito bons amigos. À medida que progride, a conversa flui, evolui, constroi-se como só acontece com um casal que se ama.
E depois, terminada, há um pequeno artigo sobre a história por trás da entrevista. Os bastidores, digamos.
Saramago, num momento em que Pilar não estava presente, diz "Não consigo imaginar a minha vida sem Pilar. Ou melhor, consigo, não seria nada boa."
Antes, na entrevista, lê-se que, durante a grave doença de Saramago ele terá dito a Pilar que não sabia se chegaria a terminar o livro que começara antes de adoecer. Isso parecia perturbá-lo, como se pudesse eventualmente morrer, com a vida por rematar. Nessa altura, Pilar conversou com os médicos e pediu-lhes que fizessem tudo o que pudessem para que ele vivesse pelo menos mais três meses, para que concluisse o livro.
Ele viveu, mais do que isso. Recuperou, acabou o livro e dedicou-lho:
"Para Pilar, que não deixou que eu morresse."
Não consigo imaginar melhor amor que este.
Pilar não estava apenas preocupada em perder o seu amor para a morte. Pilar estava preocupada que o seu amor não morresse em paz com a sua obra, sabendo que a sua obra era o mais importante da sua vida. Pilar distanciou-se do seu próprio sofrimento e objectivou a prioridade. Com medo de poder não ter o impossível, pediu o melhor dos possíveis.
E, talvez por isso, conseguiu muito mais.
O amor puro é assim.
Se leres a entrevista, ficarás a saber como eu contava amar-te. E talvez fiques a conhecer-me melhor.
Muitas vezes penso se não me amaste por não me teres chegado a conhecer ou se por me teres conhecido mal. Ou simplesmente porque não gostaste do que conheceste.
Não importa.
Sei que, se te soubesse doente, não permitiria que morresses. Não sem antes conseguir que fizesses o que te fosse mais importante.
Não sem antes estarmos em paz.
Não sem antes me despedir de ti e te agradecer por me teres permitido amar como eu acho que se deve amar alguém.
E, no livro que um dia espero escrever, dir-te-ia
A ti, que me permitiste viver.
Jornalista e escritor. Mulher e marido.
Ambos os papeis se encontram ali.
No início parece haver um distanciamento da condição de casal que os une, ficando "só" a vantagem de se conhecerem muito bem, como se fossem dois muito bons amigos. À medida que progride, a conversa flui, evolui, constroi-se como só acontece com um casal que se ama.
E depois, terminada, há um pequeno artigo sobre a história por trás da entrevista. Os bastidores, digamos.
Saramago, num momento em que Pilar não estava presente, diz "Não consigo imaginar a minha vida sem Pilar. Ou melhor, consigo, não seria nada boa."
Antes, na entrevista, lê-se que, durante a grave doença de Saramago ele terá dito a Pilar que não sabia se chegaria a terminar o livro que começara antes de adoecer. Isso parecia perturbá-lo, como se pudesse eventualmente morrer, com a vida por rematar. Nessa altura, Pilar conversou com os médicos e pediu-lhes que fizessem tudo o que pudessem para que ele vivesse pelo menos mais três meses, para que concluisse o livro.
Ele viveu, mais do que isso. Recuperou, acabou o livro e dedicou-lho:
"Para Pilar, que não deixou que eu morresse."
Não consigo imaginar melhor amor que este.
Pilar não estava apenas preocupada em perder o seu amor para a morte. Pilar estava preocupada que o seu amor não morresse em paz com a sua obra, sabendo que a sua obra era o mais importante da sua vida. Pilar distanciou-se do seu próprio sofrimento e objectivou a prioridade. Com medo de poder não ter o impossível, pediu o melhor dos possíveis.
E, talvez por isso, conseguiu muito mais.
O amor puro é assim.
Se leres a entrevista, ficarás a saber como eu contava amar-te. E talvez fiques a conhecer-me melhor.
Muitas vezes penso se não me amaste por não me teres chegado a conhecer ou se por me teres conhecido mal. Ou simplesmente porque não gostaste do que conheceste.
Não importa.
Sei que, se te soubesse doente, não permitiria que morresses. Não sem antes conseguir que fizesses o que te fosse mais importante.
Não sem antes estarmos em paz.
Não sem antes me despedir de ti e te agradecer por me teres permitido amar como eu acho que se deve amar alguém.
E, no livro que um dia espero escrever, dir-te-ia
A ti, que me permitiste viver.
domingo, 12 de outubro de 2008
Porto de abrigo

Ontem voltei à cidade e ao sítio onde nos beijámos pela primeira vez.
Estava lá tudo no mesmo lugar.
Menos nós.
Fizemos lá falta. Pelo menos a mim, pareceu-me tudo vazio.
Como se não estivesse lá ninguém.
Também o ar já não era o mesmo e, talvez por isso, me tenha sido difícil respirar.
Desta vez levei outros sapatos. Deviam ser bem desconfortáveis, porque me doía o chão ao caminhar. Quando lá estive contigo, não me lembro de sentir os pés. Penso que andava 5 cm acima dele, e tu puxavas-me para ti e o meu corpo fluia no ar.
Desta vez não choveu nem um segundo. Todos diziam que estava uma noite óptima. Fiquei a pensar que não sabem como aquele sítio é muito melhor à chuva.
Aquela esquina aparece num anúncio quando vou ao cinema. Penso que se a tivessem filmado enquanto lá nos beijávamos, abrigados da chuva, teria ficado melhor.
Estava lá tudo no mesmo lugar.
Menos nós.
Fizemos lá falta. Pelo menos a mim, pareceu-me tudo vazio.
Como se não estivesse lá ninguém.
Também o ar já não era o mesmo e, talvez por isso, me tenha sido difícil respirar.
Desta vez levei outros sapatos. Deviam ser bem desconfortáveis, porque me doía o chão ao caminhar. Quando lá estive contigo, não me lembro de sentir os pés. Penso que andava 5 cm acima dele, e tu puxavas-me para ti e o meu corpo fluia no ar.
Desta vez não choveu nem um segundo. Todos diziam que estava uma noite óptima. Fiquei a pensar que não sabem como aquele sítio é muito melhor à chuva.
Aquela esquina aparece num anúncio quando vou ao cinema. Penso que se a tivessem filmado enquanto lá nos beijávamos, abrigados da chuva, teria ficado melhor.
Teria ficado perfeito.
Foi-me bastante difícil estar ali agora.
Cenário vazio. Palco abandonado. Toda a plateia virada para outra peça.
E eu.
Sozinha no decor, sem conseguir sair do meu papel.
Foi-me bastante difícil estar ali agora.
Cenário vazio. Palco abandonado. Toda a plateia virada para outra peça.
E eu.
Sozinha no decor, sem conseguir sair do meu papel.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Notas para uma Regra de Vida
Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.
Aumentar a personalidade sem incluir nela nada alheio - nem pedindo aos outros, nem mandando nos outros, mas sendo outros, quando outros são precisos.
Reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem.
(...)
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, 237.
Aumentar a personalidade sem incluir nela nada alheio - nem pedindo aos outros, nem mandando nos outros, mas sendo outros, quando outros são precisos.
Reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem.
(...)
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, 237.
domingo, 5 de outubro de 2008
domingo, 28 de setembro de 2008
sábado, 27 de setembro de 2008
Paul Newman
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Dia de não gostar de mim
Odeio-me quando não escrevo nada de jeito.
Isso significa que não penso nada de jeito.
E eu odeio esta minha ignorância.
Odeio pensar que só seria feliz se soubesse muito do Mundo, e não saber nada.
Odeio querer ser uma coisa e ser outra.
(Pelo menos quero ser melhor do que sou. Odeio quem não quer ser melhor.)
Isso significa que não penso nada de jeito.
E eu odeio esta minha ignorância.
Odeio pensar que só seria feliz se soubesse muito do Mundo, e não saber nada.
Odeio querer ser uma coisa e ser outra.
(Pelo menos quero ser melhor do que sou. Odeio quem não quer ser melhor.)
Preto e branco
Isto às vezes é preciso olhar para as coisas de longe, se não não se percebe nada.
Ainda que haja dias que não me apetece fazer grande coisa por mim, um bocadinho de inteligência emocional não me fazia mal nenhum.
Isso.
Ser um bocadinho menos dramática a escrever, talvez fizesse mais jus à realidade. Esta minha veia de artista castrado dá nisto. Pudesse eu representar a minha própria personagem em palco e deixava de me fazer um drama.
Um grande aplauso.
Deve haver alguma coisa de consolador na tristeza, porque há preguiça de sair dela. E toda a gente gosta de espreitar uma boa tragédia.
A verdade é que não há nada que eu goste tanto como rir-me.
Uma gargalhada agora é que era!
Não seja pateta, menina! Ninguém ri o tempo todo!
Mas eu tenho sempre essa ambição - emoções fortes.
Não é de me atirar de uma ponte, atada a um elástico. Esse dispêndido de adrenalina parece-me um desperdício - não acho que tenha adrenalina a mais e preferia usá-la com outras coisas.
Agora, não me dou nada bem com lugares cinzentos, com meios-termos, palavras-meias, sorrisos amarelos, indecisões, emoções fracas.
Ou sou fiel ao meu desgosto, ou mais vale ser feliz.
Que o resto é um lugar estranho.
Ainda que haja dias que não me apetece fazer grande coisa por mim, um bocadinho de inteligência emocional não me fazia mal nenhum.
Isso.
Ser um bocadinho menos dramática a escrever, talvez fizesse mais jus à realidade. Esta minha veia de artista castrado dá nisto. Pudesse eu representar a minha própria personagem em palco e deixava de me fazer um drama.
Um grande aplauso.
Deve haver alguma coisa de consolador na tristeza, porque há preguiça de sair dela. E toda a gente gosta de espreitar uma boa tragédia.
A verdade é que não há nada que eu goste tanto como rir-me.
Uma gargalhada agora é que era!
Não seja pateta, menina! Ninguém ri o tempo todo!
Mas eu tenho sempre essa ambição - emoções fortes.
Não é de me atirar de uma ponte, atada a um elástico. Esse dispêndido de adrenalina parece-me um desperdício - não acho que tenha adrenalina a mais e preferia usá-la com outras coisas.
Agora, não me dou nada bem com lugares cinzentos, com meios-termos, palavras-meias, sorrisos amarelos, indecisões, emoções fracas.
Ou sou fiel ao meu desgosto, ou mais vale ser feliz.
Que o resto é um lugar estranho.
Agustina
"(...) A felicidade não é uma ilusão, porque há pequenas felicidades que podem ser extraordinárias.
Pode-se viver a vida inteira em poucos minutos, e não é uma ilusão.
A felicidade não é uma constante na vida humana."
Agustina Bessa-Luís
Obrigada, Libelinha
Pode-se viver a vida inteira em poucos minutos, e não é uma ilusão.
A felicidade não é uma constante na vida humana."
Agustina Bessa-Luís
Obrigada, Libelinha
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Sophia
"Mais tarde será tarde e já é tarde
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa."
Sophia de Mello Breyner Andresen
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa."
Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, 21 de setembro de 2008
Nova estação
Vai chegar o Outono e este blog vestiu-se a rigor.
Menos clean, mas mais explorado, mais vivido, mais maduro.
Que folhas farás cair?
Bem-vindo, Outono.
Menos clean, mas mais explorado, mais vivido, mais maduro.
Que folhas farás cair?
Bem-vindo, Outono.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
328.
"Junta as mãos, põe-as entre as minhas e escuta-me, ó meu amor.
Eu quero, falando numa voz suave e embaladora, como a dum confessor que aconselha, dizer-te o quanto a ânsia de atingir fica aquém do que atingimos."
Bernardo Soares - 328. O Livro do Desassossego
Eu quero, falando numa voz suave e embaladora, como a dum confessor que aconselha, dizer-te o quanto a ânsia de atingir fica aquém do que atingimos."
Bernardo Soares - 328. O Livro do Desassossego
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
"A vida passa e era bom saber...
... o que é feito de ti?"
Já não existes na minha vida. Não neste momento.
Mas exististe num momento passado, de curta duração. Por um momento, houve uma existência nossa, de nós. O que mais me custou na nossa breve existência foi ter de desistir dela. Desistir de ti.
Tive de o fazer, porque a vida continuou sem ti. Ou porque tu continuaste sem mim.
Nesse instante em que passaste por mim, modificaste-me para sempre. Deixaste a tua marca em mim, na minha vida.
A tua música, os teus livros, o teu (sor)riso, a tua ternura acrescentaram à minha vida uma existência mais bonita. Recuperaste-me a curiosidade, o intelecto, a sensibilidade.
A-PAI-XO-NAS-TE-ME
Por um momento, senti ter comigo o amor de uma vida. Fui capaz de sentir que queria estar com alguém até um dia morrer, e morrer com alguém. Despedir-me de alguém antes de morrer, se a morte me fosse anunciada. Quis ser de um só, para sempre. Fazer tudo com uma pessoa só, porque só uma pessoa bastava para encher de gente o meu Mundo. Queria esse amor omnipresente nos meus dias, na rotina circadiana do desejo, no meu adormecer e no meu acordar, nos meus filhos, na minha família, nos meus enfados e nos meus problemas. Eu seria completa com esse amor. Com ele quis a eternidade e o imediato, o bom e o mau, o muito e o ínfimo. Quis tudo.
Não sei quantas vezes na vida serei capaz de sentir o mesmo. Não é comum acontecer.
Mas sei que não vou querer nunca menos do que isto.
Dizem que amar nos dá anos de vida. Eu vou viver mais tempo.
Magoaste-me impiedosamente.
Mas isto é o que sobra da mágoa.
Uma vida mais feliz.
Já não existes na minha vida. Não neste momento.
Mas exististe num momento passado, de curta duração. Por um momento, houve uma existência nossa, de nós. O que mais me custou na nossa breve existência foi ter de desistir dela. Desistir de ti.
Tive de o fazer, porque a vida continuou sem ti. Ou porque tu continuaste sem mim.
Nesse instante em que passaste por mim, modificaste-me para sempre. Deixaste a tua marca em mim, na minha vida.
A tua música, os teus livros, o teu (sor)riso, a tua ternura acrescentaram à minha vida uma existência mais bonita. Recuperaste-me a curiosidade, o intelecto, a sensibilidade.
A-PAI-XO-NAS-TE-ME
Por um momento, senti ter comigo o amor de uma vida. Fui capaz de sentir que queria estar com alguém até um dia morrer, e morrer com alguém. Despedir-me de alguém antes de morrer, se a morte me fosse anunciada. Quis ser de um só, para sempre. Fazer tudo com uma pessoa só, porque só uma pessoa bastava para encher de gente o meu Mundo. Queria esse amor omnipresente nos meus dias, na rotina circadiana do desejo, no meu adormecer e no meu acordar, nos meus filhos, na minha família, nos meus enfados e nos meus problemas. Eu seria completa com esse amor. Com ele quis a eternidade e o imediato, o bom e o mau, o muito e o ínfimo. Quis tudo.
Não sei quantas vezes na vida serei capaz de sentir o mesmo. Não é comum acontecer.
Mas sei que não vou querer nunca menos do que isto.
Dizem que amar nos dá anos de vida. Eu vou viver mais tempo.
Magoaste-me impiedosamente.
Mas isto é o que sobra da mágoa.
Uma vida mais feliz.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
The Story
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you
You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Brandi Carlile
Composição: Phil Hanseroth
Pelos dias nos Açores!
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you
You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Brandi Carlile
Composição: Phil Hanseroth
Pelos dias nos Açores!
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Açores
Prometia tudo. E foi muito mais do que prometia.
Os dias eram longos, mornos, transparentes, etéreos.
O nosso riso ecoava em cada escarpa, fundindo-se com o som do mar azul cobalto que dissolvia os entremeios da costa.
O silêncio da terra permitia que ouvíssemos o prazer dentro de nós, um som de explosão vulcânica.
A vida viveu-se sem fronteiras entre terra e mar. Caminhávamos pelo mar como se fosse terra, e pela terra como se fosse mar - o nosso destino era um lugar único.
Sobrevoámos, digamos.
O paraíso?
Nunca um destino me havia sido tão envolvente, tão fotográfico, tão feliz.
Tudo parecia intocado, perfeito. À nossa espera, como jóia perdida.
Esquecida, ou guardada?
Não há segredo mais bem guardado que os Açores.
A todos os que foram comigo e permitiram que o nosso destino tivesse sido perfeito, obrigada!
sábado, 2 de agosto de 2008
Encontrai-me!
"Quando estão juntos satisfaz-se em fitá-la, em ouvi-la, em observar-lhe as pupilas e o movimento dos lábios a um metro de distância dos seus olhos.
Enquanto fala com ele, Mariana pertence-lhe."
José António Saraiva, in O Último Verão na Ria Formosa
Enquanto fala com ele, Mariana pertence-lhe."
José António Saraiva, in O Último Verão na Ria Formosa
segunda-feira, 21 de julho de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Woody Allen
“Na minha próxima vida, quero viver de trás para a frente.
Começar por morrer, para despachar logo esse assunto.
Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar. Receber logo um relógio de ouro no primeiro dia de trabalho. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma.
Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, para depois estar pronto para o liceu.
Em seguida a primária, ficar criança e brincar.
Não ter responsabilidades e ficar um bébé até nascer.
Por fim, passar 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois... Voila! - Acabar com um orgasmo!
I rest my case."
By WOODY ALLEN
Começar por morrer, para despachar logo esse assunto.
Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar. Receber logo um relógio de ouro no primeiro dia de trabalho. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma.
Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, para depois estar pronto para o liceu.
Em seguida a primária, ficar criança e brincar.
Não ter responsabilidades e ficar um bébé até nascer.
Por fim, passar 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois... Voila! - Acabar com um orgasmo!
I rest my case."
By WOODY ALLEN
domingo, 13 de julho de 2008
Oceanário
Sabes?
Vou contar-te uma coisa.
Um dia vi-te, e não senti nada. Depois vimo-nos muitas vezes, e comecei a sentir que eras uma companhia agradável. Ao fim de pouco tempo, começaste a mostrar-me que eu era importante para ti. E eu gostei disso. Deixámo-nos envolver os dois, por aquilo que parecia ser uma atracção incontrolável.
Um dia pareceste-me apaixonado, e eu deixei-me apaixonar por ti. Eras o mais doce e bem humorado e interessante dos demais. Parecias-me a ponta do iceberg que eu queria explorar o resto da vida. Nesses tempos eu levitava.
Senti tudo: as borboletas na barriga, o coração sempre nervoso, uma saudade louca nos intervalos, um desejo sempre adiado para que fosse perfeito, para não ter pressa. Tive admiração por cada palavra, por cada centímetro quadrado da tua pele. Memorizei-te as expressões e absorvi o teu cheiro. Rendi-me ao teu encanto (não há dúvida de que és encantador).
E num outro dia vi-te noutro Mundo, sozinho de mim, mas rodeado de outros, longe como se não te lembrasses de nada, distante como se nunca tivesses estado perto. Diferente, como se só eu tivesse imaginado tudo, indiferente à minha figura. Como se não me visses, nem ouvisses, como acontece aos peixes num daqueles oceanários que não sabem de ninguém que os visita - teria eu alguma vez nadado contigo?
Aterrei com força sobre os meus pés, da altura onde tinha estado a levitar - doeu-me tanto!...
Enganaste-me.
E com isso, ambos perdemos tudo.
Quantas vezes na vida vou eu ser capaz de sentir o mesmo? Sabes o que significa defraudar isso? Estragaste-me o melhor sentimento do Mundo e eu ando cheia de medo de não ser capaz de o sentir de novo.
E perdeste-me.
Tu não chegaste a conhecer-me, mas é possível que tenhas perdido a mulher que mais te amaria.
Vou contar-te uma coisa.
Um dia vi-te, e não senti nada. Depois vimo-nos muitas vezes, e comecei a sentir que eras uma companhia agradável. Ao fim de pouco tempo, começaste a mostrar-me que eu era importante para ti. E eu gostei disso. Deixámo-nos envolver os dois, por aquilo que parecia ser uma atracção incontrolável.
Um dia pareceste-me apaixonado, e eu deixei-me apaixonar por ti. Eras o mais doce e bem humorado e interessante dos demais. Parecias-me a ponta do iceberg que eu queria explorar o resto da vida. Nesses tempos eu levitava.
Senti tudo: as borboletas na barriga, o coração sempre nervoso, uma saudade louca nos intervalos, um desejo sempre adiado para que fosse perfeito, para não ter pressa. Tive admiração por cada palavra, por cada centímetro quadrado da tua pele. Memorizei-te as expressões e absorvi o teu cheiro. Rendi-me ao teu encanto (não há dúvida de que és encantador).
E num outro dia vi-te noutro Mundo, sozinho de mim, mas rodeado de outros, longe como se não te lembrasses de nada, distante como se nunca tivesses estado perto. Diferente, como se só eu tivesse imaginado tudo, indiferente à minha figura. Como se não me visses, nem ouvisses, como acontece aos peixes num daqueles oceanários que não sabem de ninguém que os visita - teria eu alguma vez nadado contigo?
Aterrei com força sobre os meus pés, da altura onde tinha estado a levitar - doeu-me tanto!...
Enganaste-me.
E com isso, ambos perdemos tudo.
Quantas vezes na vida vou eu ser capaz de sentir o mesmo? Sabes o que significa defraudar isso? Estragaste-me o melhor sentimento do Mundo e eu ando cheia de medo de não ser capaz de o sentir de novo.
E perdeste-me.
Tu não chegaste a conhecer-me, mas é possível que tenhas perdido a mulher que mais te amaria.
Solidão
Tem dias difíceis.
Em que a solidão, essa dor de me sentir só - infinitamente só - é um mal maior do que o nosso.
Nesses dias preferia estar só contigo a qualquer outra coisa no Mundo.
Nesses momentos acredito que me bastavas tu para ser feliz.
Tem dias.
Não é sempre assim.
A maior parte do tempo penso-te como uma fraude.
A quem jamais desejarei de novo.
Em que a solidão, essa dor de me sentir só - infinitamente só - é um mal maior do que o nosso.
Nesses dias preferia estar só contigo a qualquer outra coisa no Mundo.
Nesses momentos acredito que me bastavas tu para ser feliz.
Tem dias.
Não é sempre assim.
A maior parte do tempo penso-te como uma fraude.
A quem jamais desejarei de novo.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008
domingo, 6 de julho de 2008
Miguel Torga
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Desengano
Ter-te descoberto vulgar, comum, pouco superior,
foi o melhor dos antídotos para deixar de te querer.
Foste um engano, não um desencontro.
Não existias, meu príncipe.
Adeus.
foi o melhor dos antídotos para deixar de te querer.
Foste um engano, não um desencontro.
Não existias, meu príncipe.
Adeus.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
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