sábado, 31 de maio de 2008

Vinicius



"É melhor ser alegre que ser triste,
alegria é a melhor coisa que existe."

Vinicius de Moraes

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Uma noite no Mindelo

Apetecia-me um fim de tarde de calor. O corpo moreno, com restos de mar. Uma bebida alcoólica, uns pratos com petiscos. Uma noite no Mindelo. E dois ou três amigos numa conversa feliz.

Poesia?

Fora eu a noite, e dormia contigo
Fora eu o ar, e precisavas de mim
Fora eu o vinho, que te enebria
Fora eu o teu sono, e sonhavas comigo

Chega (aqui)

Chega deste disparate que se abateu sobre nós.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ruído

Ouve, isto está no fim.
Isto já acabou, se calhar.
Não sei bem o que fazer com este fim. Não foi um final anunciado - foi um final precipitado, que só está a ser definitivo porque não conseguimos (ou não queremos?) encontrar-nos.
Preocupam-me os desencontros... Eles tornam-se irreversíveis em instantes, sem que a gente se dê conta...

Estou não sei onde, no meio do desconhecido, onde só há ruídos estranhos, que não consigo interpretar. Gira à minha volta um Mundo inóspito, onde não me sinto bem. Quero sair deste sítio e não sei como. Quero gritar e não me sai nenhum som. Chamo o teu nome e não me faço ouvir - onde estás?

Senta-te comigo num degrau e vamos conversar. Preciso de te perguntar o que se passou e de te dizer o que se passa. Incomoda-te falares comigo? Então não falamos. Mas senta-te ao meu lado e não digas nada, que eu prometo também calar-me. Vamos ter uma longa conversa de silêncio. Mas fica perto de mim, sozinho comigo o tempo que for preciso

até nos encontrarmos.

(não aguento a lonjura, a indiferença, o desaparecimento)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também...
nem eu sei quando...

Florbela Espanca

Sidney Pollack



Há pessoas que passam pelo Mundo lhe acrescentam lindíssimas imagens.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Cansei de Esperar



De hoje em diante eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar, de esperar enfim
E p'ra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim

Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela quando a gente ama e
Tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar
Chorando até o fim
E p'ra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim

Não vai ser fácil, eu bem sei
Eu já procurei, não encontrei meu bem
A vida é assim, eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém

De hoje em diante eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante em que você partiu
Destruiu nosso amor

Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar, de esperar enfim
E p'ra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim


Rossini Pinto por Caetano Veloso

Suis generis?

Parece-me que te queres afastado de mim - que é que eu te fiz?
Nada. Tens medo não sei de quê, sempre que alguma coisa nos aproxima.
Não fiz, nem vou fazer, nada que nos mantenha juntos, porque tu não o queres e porque eu também não o sei fazer e porque deixou de ser bom.
E assim vamos perder-nos.
Já estava até rendida a isto, quando te ouvi dizer - sem que eu te tivesse perguntado nada - que não era isso que querias.
Tudo bem. Vamos entender-nos, então.
Que espécie de entendimento queres tu que cada vez nos afasta mais?
Que te vai na cabeça que me é impossível de entender?

Por vezes penso se serei eu que falo outra língua, que te confunda, que não me faça entender. Mas eu nem tenho falado, não deve ser um problema meu...
O conjunto dos teus comportamentos comigo podia ser facilmente inteligível se eu te classificasse como um clássico e imaturo sacana.
Mas eu, estupidamente, continuo apenas a achar-te suis generis e especial de corrida, tolerando-te todos os erros, e assim te vou dando tempo e espaço para casualidades atrás de casualidades, quedas mal amparadas, e tiros em que eu sou o alvo, transformando-nos numa fatalidade.

(Nada disto está bem dito porque eu sinto o meu pensamento moderadamente desorganizado...)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

"Vivam os noivos!"

Pela primeira vez na minha vida (pelo menos que eu me lembre), "encomendaram-me" um texto.
Estreei-me a sentir-me artista contratado.
Era um requisito específico e de alguma responsabilidade: escrever um pequeno texto para o casamento de dois amigos de sempre. Pensei que não ia conseguir. Como é que eu ia escrever alguma coisa sobre o amor, sem ser sobre o MEU amor? Eu só sei escrever sobre mim, porque porque eu só escrevo no desabafo, na angústia...
Mas não disse que não. Disse que ia tentar.
No início não me ocorria nada mais do que "desejo-vos toda a felicidade do Mundo", "vocês merecem esta alegria" e mais uma dúzia de vulgaridades que me remetiam para um único pensamento - como é que eu vou emancipar-me desta mediocridade que existe dentro de mim?
E depois, quando menos esperava, num dia em que me preparava para dormir, vem-me à cabeça uma frase que tinha lido algures, mais umas coisas que tinha escrito em nenhures e que começaram a fazer sentido juntas e a coisa lá se deu...
Compôs-se a graça, evitou-se a desgraça!
"Aceitam-se encomendas."

terça-feira, 20 de maio de 2008

Fotografia

Velocidade de obturação e abertura do diafragma.
Daqui nasce a luz que estampa no sensor (dantes, no filme) um momento.
Mas para além da física, uma fotografia deve ser capaz de transmitir o olhar do fotógrafo, porque o momento, esse, também foi visto de uma forma única por cada um.
Isso é tudo o que se perde nos modos automáticos.
Entre o que se vê e o que se consegue fotografar, vai toda a distância que separa a sensibilidade e a técnica.
E só quando se conseguem fundir resultam numa bela fotografia - a que traduz exactamente o que o fotógrafo quis ver.

domingo, 18 de maio de 2008

Que é que tu queres....?

Tu baralhas-me tanto!...
Tu vais embora e eu tenho de me despedir de ti, e depois voltas e queres que eu te receba, sem que eu possa dizer nada sobre o que se passou, sobre o que senti entretanto; antes, durante e depois da amargura!...
Tornas-me mais difíceis os dias e tornas-me cada vez mais impossível gerir as emoções que ainda tenho contigo.
Atiraste umas palavras para o ar e pensas que com isso lambeste todas as minhas feridas, resolveste o assunto... Eu não esperava sequer que tu quiseses resolver alguma coisa. Pensei que não te darias ao trabalho (fosse eu uma grande amiga e não mais uma que te passou pelos sorrisos).
Quase acreditei.
Permiti-me ao entendimento, mas afinal tu não querias dizer mais nada.
Queres apenas ficar bem na fotografia, seguir em frente sem olhar para trás. Mas eu não consigo acompanhar-te o passo, desculpa... Tu andas muito mais rápido que eu!... E quando eu já estou longe, no meu ritmo, tu voltas a aparecer no meu caminho, chamando-me não sei para onde...
Só sei que não é para ir contigo...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

I've missed you

Qualquer dia, quando menos esperar, tropeço em ti.
Faço-te uma festa no cabelo, dou-te um alegre beijo na cara e digo-te como

Tive saudades.

Vitória de Samotrácia



Hoje eu sinto-me assim!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Até amanhã!

Vou vestir o pijama e comer queijo com marmelada. E vou ver na cama o "Il Postino". E vou embriagar-me com esse sono manso que me adormece. E não vou pôr o despertador para amanhã - vou deixar-me acordar e espreguiçar-me como um gato! Torcer-me na cama, sorrir debaixo dos lençois, inspirar fundo e dar um pulo!

Amado Mio

Amado mio
Love me forever
And let forever begin tonight
Amado mio
When we're together
I'm in a dream world
Of sweet delight
Many times I've whispered
Amado mio
It was just a phrase
That I heard in plays
I was acting a part
But now when I whisper
Amado mio
Can't you tell I care
By the feeling there
'Cause it comes from my heart
I want you ever
I love my darling
Wanting to hold you
And hold you tight
Amado mio
Love me forever
And let forever
Begin tonight

(...)

Pink Martini

Hallelujah

Podíamos ter casado ao som desta música e dançado toda a noite o "amado mio", numa pequeníssima e feliz festa, onde só estávamos nós os dois, numa noite quente de Verão. E vivíamos numas águas furtadas da Sé, ou da Baixa, num quarto com mezanine, que não precisava ter mais nada se não

música.

Depois de ti

Lamento este desencontro, que nos proíbe de elevarmos exponencialmente a nossa emoção pela vida, juntos.

Mas o melhor é saber que posso, e que vou continuar sem ti, e que tudo pode ser maravilhosamente bom sem ti, e que vou continuar a apaixonar-me por súbitos momentos de vida, e que consigo gargalhar e dobrar o riso sem ti, e que tudo o que eu tinha antes de ti vai permanecer depois de ti, e que não me levaste nada.


"Nothing is gonna change my world" Across the Universe - John Lenon by Fiona Apple

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Querer para Ver

Talvez tu nunca venhas a ler-me aqui.
E talvez por isso, ou por milhares de outros momentos, tu nunca me venhas a conhecer e a saber como eu gosto de rir. E de adormecer, de entorpecer à lareira. De amar. De escrever. De perder tempo a construir ideias.
Talvez tu nunca passes um Natal comigo, para saberes como eu gosto do Natal.
Talvez tu nunca acordes comigo, para saberes como eu sou muito mais doce ao acordar.
Talvez tu nunca me queiras o suficiente para veres os defeitos que eu realmente tenho, em vez de veres esses que eu não tenho.
Talvez tu nunca precises de mim num dia em que estejas frágil, para sentires como eu sou forte.
Talvez tu nunca me vejas sozinha, a pensar em ti.
Talvez tu nunca me desejes o suficiente para me veres linda e me sentires tua.

Tinhas de ser tu a querer, para veres tudo isto.

Inevitável

Quantas vezes pensas em mim?

À Paris


Se eu pudesse escolher o que fazia hoje,


Beijava-te nesta rua.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Lado vazio

As palavras saem-me apenas do lado da angústia. Mas há um lado em mim que se deixa invadir por uma apatia calmante. Há uma parte de mim que está embotada, amorfa, desligada. Desligaste-me também a alegria, a vontade, a emoção. Olho para esse lado que existe dentro de mim e penso que só pode ser o espaço que não chegaste a ocupar. Quero dormir nele, pois nele não há barulho, não há luz, nem há cheiro. Não há o que pensar. Nele só há o vazio. O chão é de pedra, fria e dura. Não há conforto.
Se ao menos te deitasses comigo!...

Não consigo o que foi

Não consigo ouvir os teus CD's, nem o do Jeff Buckley, nem pensar em ver o Magnólia. Não consigo ler as tuas mensagens. Não consigo olhar para trás e ver como estava a ser bom.
Não consigo sequer andar pela minha casa, porque ainda lá estão os teus pés. Não consigo ter no frigorífico a tua hortelã.
Não consigo dormir, com medo que não me acordes às 6h30, com um guarda-chuva verde-alface e um abraço no ar.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Indisponibiliza-te comigo

Gosto de ti.
Posso deixar de gostar amanhã. E vou deixar se tu não me quiseres.
Não é de não conseguir esquecer-te que tenho medo. Já esqueci outros, antes de ti.
Tenho medo é de te esquecer.
Esquecer-te por nada, para nada.
Esquecer-nos para quê?
Se nos esquecermos, perder-nos-emos na vida. Porquê?

Arrisca a tua indisponibilidade comigo.
Leva o tempo que precisares, eu espero.
Um dia vais acordar e vais estar disponível.

Nesse dia casamos.

Transido

transido:
adj.,
impregnado;
repassado (de susto, dor ou frio);
ant.,
passado;
que já foi

Um dia

Podíamos ter-nos amado mais cedo?
Poderemos amar-nos mais tarde?
Agora não nos amamos, por isso não podemos agora.

Um dia quero que me ames. Que me descubras. Que me tenhas contigo.
Quero fechar-te os olhos com os meus, entrelaçar-te os dedos em mim, sentir-te durante a noite. Exigir-te.

Ama-me um dia. Pode ser tarde de mais, mas ama-me. Não importa quando. Só me importa que me ames um dia.

Um dia.
Agora não. Agora não vale nada.

No meio desta confusão de horas que me percorre, de novidades que me estão a ensurdecer, o meu amor não tem nenhuma oportunidade. Está em pânico, transido de medo.

Não é amor, é medo de te perder.

domingo, 11 de maio de 2008

Voltas?

Escrevo hoje como se te vomitasse.

Porque me é muito difícil ter-te cá dentro e em mais lado nenhum.

Dói-me como se não houvesse amanhã. Dói-me porque acho que não vai haver amanhã.
Não aguento perder-te. E voltar a ter-te parece-me impossível.

Como?
Vais voltar?
E eu vou querer-te?

Não te percas de mim, meu futuro-amor. Não me queiras perder.

Olha-me. Fixa-me. Memoriza-me. Não me esqueças.

Volta.
Não outra vez, mas de novo.
Volta do princípio.

Parar aqui. Não por aqui.

O que quer que fosse que tínhamos, acabou.
Acabou da forma como o conhecíamos, como existia.
Podemos iniciar qualquer coisa de novo.
Mas não podemos continuar.
Isso faz sentido?

Sobreviver-te

Há dias em que sobreviver-te me parece impossível.

Não vales nada pois não? Comigo, não vales nada.
O pior é isso.
É saber que vales muito mais sem mim do valeste comigo.

Porquê comigo? Não sabes que eu era para preservar? Não sabes que não podias magoar-me, nem perder-me?

Dura, a realidade que me estás a oferecer.
Duros, estes dias de desassossego.

sábado, 10 de maio de 2008

Des-existir

Vou abandonar-te.
Ainda não tenho a certeza se é o que quero, mas não consigo ter-te comigo.
Abandono-te para o vazio. Abandono-te para nada, por nada.
Fazes-me perder essa doçura que era ter-te no futuro, sem razão nenhuma.
Deixa-me só olhar para ti um instante (que te peço infinito). Preciso desconstruir a tua imagem para partir sem ela. Não quero levar um único momento teu. Quero apagar-te, porque acho que só se desapareceres consigo continuar. Deixa-me olhar bem para ti, para nunca mais me lembrar.
Abandona-te comigo. Vamos dissolver-nos, desistir (ou des-existir), para nos reencontrarmos depois, daqui a nada.

Adeus, meu amor

Tinha-te para te amar, um dia mais tarde. Quando fosse. Sem pressa.
Mas tinha-te comigo. Pensava-te comigo.
Afinal não estavas. Nunca estiveste, dizes tu.
Como podes dizer-me isso?
Então quem esteve comigo?
Não devias ter-me feito isto. Não a mim.
Traíste o nada que havia entre nós. E ainda dispensaste o que poderia haver. Nessa noite, nessa madrugada e nessa tarde, fugiste-me entre os dedos. Tudo à nossa volta foi mau, feio, delirante. Aquela montanha-russa descontrolada que eu não consegui travar levou-te de mim e eu não sei se aguento sabê-lo.
Porquê desta maneira?
Da forma mais fútil, mais vulgar de todas.
O que EU tinha contigo era tudo menos vulgar.
Despeço-me de ti agora. Despeço-me do que te imaginei, do que EU tive contigo.
Sou só eu a despedir-me, porque TU nunca estiveste comigo.
Posso não conseguir evitar vir a amar-te, mas jamais será como até agora.

Nada?

Não havia nada para ti?
Ou agora é-te mais fácil pensares e dizeres-me que não havia nada?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Despir-me de ti

Caminhei pausadamente até ao carro, sem pressa, nem fardo. Apenas caminhei. Abri a porta do lado do passageiro, porque a do lado do condutor se avariou e tu não chegaste a arranjá-la. Sentei-me, abandonei a carteira ao meu lado, liguei a ignição e vim embora para casa. O silêncio da viagem falou-me de calma. Por pior que fosse a tempestade, tinha para onde voltar. E esse ninho quente recebe-me indiferente ao que se passou lá fora. Meti a chave na porta. Nunca deixo a angústia do lado de lá; arrasto-a para dentro para não me esquecer que ainda existe. Pousei a carteira, as chaves e o iPod, que agora é como um inimigo. Não fui ao frigorífico porque ainda lá está a hortelã que me puseste na orelha. Devia comer alguma coisa, mas não me apeteceu. Passei a mão pela cara e pelo cabelo. Senti na ponta dos dedos o cansaço de te trazer nas minhas costas nas últimas horas. Estava de pé, ainda à entrada, e olhei de soslaio para a sala – quase te vi. Não senti grande coisa. Aceitei que será assim por uns tempos. Fui até ao quarto, sentei-me na beira da cama. Outra vez a mão pelo cabelo e a cara pousada na mão. Tirei os brincos, o colar e o relógio.Descalcei-me e despi-me em velocidade cruzeiro. Felizmente não te vejo no meu corpo. Deitei para lavar a camisa de noite que te viu, e a roupa que me cobriu o corpo contigo. Um pé na banheira, depois o outro. Agora a água quente a limpar-me, o cheiro bom do champô, os músculos a cederem. Penso: choro agora? Não, agora não, daqui a pouco. Saí, sequei-me e vesti um pijama lavado. Entrei para o edredon e quando punha o despertador vi as minhas mãos: faltava tirar o verniz das unhas. A última coisa em mim que te tinha tocado. Levantei-me e fui buscar acetona. Não queria deitar-me com restos de ti.

"Consequences, David..."


Não me emprestes mais filmes desses acabam mal. Transformaste a ficção nesta realidade cruel.
Porque é que entraste no carro?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Tubarão-baleia

- Anda ver o tubarão-baleia!
- Vou! Não tenho medo?
- Não!
E foram. Mergulharam juntos no Índico como haviam feito toda a vida, desde que se tinham tornado irmãos. E amigos.
Ele foi à frente e ela atrás dele. Nadaram, esborratando as cores que só existem no mar. Tinham passado 50 anos e estava (quase) tudo na mesma. A alegria, a curiosidade, a vontade de viver e de ver a Natureza, que os tinha mantido juntos na vida.
Dentro do mar, não tinham mais do que 15 anos. Riram-se de modo subaquático, fizeram gestos que mostravam o que os encantava e no fim, voltaram à superfície.
Os mesmos genes, a mesma história, e a mesma vontade de continuarem juntos.
Até debaixo de água.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Quando me amas?

Quanto tempo vais levar para me quereres para ti?
Aguentarei a espera?
E isto frágil que temos, resistirá?
Porque consegues viver sem mim?
Queria não ter de esperar mais. Queria abraçar-te sem medo de abraçar o vazio. Queria procurar-te com a certeza que te encontrava. Queria que me aparecesses para ficar. Queria já saber o bom resultado.
Queria saber-te meu.