Ouve, isto está no fim.
Isto já acabou, se calhar.
Não sei bem o que fazer com este fim. Não foi um final anunciado - foi um final precipitado, que só está a ser definitivo porque não conseguimos (ou não queremos?) encontrar-nos.
Preocupam-me os desencontros... Eles tornam-se irreversíveis em instantes, sem que a gente se dê conta...
Estou não sei onde, no meio do desconhecido, onde só há ruídos estranhos, que não consigo interpretar. Gira à minha volta um Mundo inóspito, onde não me sinto bem. Quero sair deste sítio e não sei como. Quero gritar e não me sai nenhum som. Chamo o teu nome e não me faço ouvir - onde estás?
Senta-te comigo num degrau e vamos conversar. Preciso de te perguntar o que se passou e de te dizer o que se passa. Incomoda-te falares comigo? Então não falamos. Mas senta-te ao meu lado e não digas nada, que eu prometo também calar-me. Vamos ter uma longa conversa de silêncio. Mas fica perto de mim, sozinho comigo o tempo que for preciso
até nos encontrarmos.
(não aguento a lonjura, a indiferença, o desaparecimento)
quarta-feira, 28 de maio de 2008
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