Hoje ouvi o programa da Antena 3, por indicação de uma Libelinha minha amiga.
Prova Oral. O convidado era Carlos Amaral Dias e o tema o Amor.
Foi excelente. Porque foi hilariante e simultaneamente rico em conteúdo, intelectual, com argumentos e apontamentos históricos que justificam muitos dos factos que se passam à volta desta coisa das relações amorosas da cultura de hoje, de ontem e da de entretanto.
Muitas verdades foram ditas, e ouvi-las desdramatizou-me. A gargalhada de nós próprios. Nada pode ser mais sábio.
A saber:
A verdade de um ouvinte que resolveu citar Ornatos Violeta
"O amor é uma doença quando procuramos nele a nossa cura."
A verdade do próprio Carlos Amaral Dias
"A componente erótica [da relação sexual entre um homem e uma mulher] acontece quando a mulher que existe dentro do homem faz amor com o homem que existe dentro daquela mulher."
Eu achei aquela conversa simplesmente genial.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Doença
Hoje estou farta de ti.
Farta de pensar em ti e de me cansar contigo.
Hoje não te quero jamais e quero nunca mais sentir-te.
Aliás hoje nem te sinto, nem te penso, nem nada.
Hoje só estou farta de ti e olho para tudo o que aqui está escrito e parece-me escrito por outras mãos que não as minhas e tudo me parece um grande exagero que me faz adoecer e sentir que tens sido a minha doença.
Mas não, a doença sou eu, por te permitir em mim, tão demoradamente como se não houvesse mais nada a preservar, como se não estivesses a definhar-me tudo só por teres existido em mim.
Tudo errado. Houveste, e depois? Antes assim. Prefiro isso a nada. Foste embora, e então?
Era mesmo preciso eu pensar que o Mundo se desintegrava sem ti?
Pouco inteligente, pouco amadurecido e muito pouco contemporâneo.
Farta de pensar em ti e de me cansar contigo.
Hoje não te quero jamais e quero nunca mais sentir-te.
Aliás hoje nem te sinto, nem te penso, nem nada.
Hoje só estou farta de ti e olho para tudo o que aqui está escrito e parece-me escrito por outras mãos que não as minhas e tudo me parece um grande exagero que me faz adoecer e sentir que tens sido a minha doença.
Mas não, a doença sou eu, por te permitir em mim, tão demoradamente como se não houvesse mais nada a preservar, como se não estivesses a definhar-me tudo só por teres existido em mim.
Tudo errado. Houveste, e depois? Antes assim. Prefiro isso a nada. Foste embora, e então?
Era mesmo preciso eu pensar que o Mundo se desintegrava sem ti?
Pouco inteligente, pouco amadurecido e muito pouco contemporâneo.
domingo, 19 de outubro de 2008
Promets-moi
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Pilar & Saramago
Estive a ler a entrevista que Pilar del Rio fez a José Saramago, publicada na revista do Expresso desta semana.
Jornalista e escritor. Mulher e marido.
Ambos os papeis se encontram ali.
No início parece haver um distanciamento da condição de casal que os une, ficando "só" a vantagem de se conhecerem muito bem, como se fossem dois muito bons amigos. À medida que progride, a conversa flui, evolui, constroi-se como só acontece com um casal que se ama.
E depois, terminada, há um pequeno artigo sobre a história por trás da entrevista. Os bastidores, digamos.
Saramago, num momento em que Pilar não estava presente, diz "Não consigo imaginar a minha vida sem Pilar. Ou melhor, consigo, não seria nada boa."
Antes, na entrevista, lê-se que, durante a grave doença de Saramago ele terá dito a Pilar que não sabia se chegaria a terminar o livro que começara antes de adoecer. Isso parecia perturbá-lo, como se pudesse eventualmente morrer, com a vida por rematar. Nessa altura, Pilar conversou com os médicos e pediu-lhes que fizessem tudo o que pudessem para que ele vivesse pelo menos mais três meses, para que concluisse o livro.
Ele viveu, mais do que isso. Recuperou, acabou o livro e dedicou-lho:
"Para Pilar, que não deixou que eu morresse."
Não consigo imaginar melhor amor que este.
Pilar não estava apenas preocupada em perder o seu amor para a morte. Pilar estava preocupada que o seu amor não morresse em paz com a sua obra, sabendo que a sua obra era o mais importante da sua vida. Pilar distanciou-se do seu próprio sofrimento e objectivou a prioridade. Com medo de poder não ter o impossível, pediu o melhor dos possíveis.
E, talvez por isso, conseguiu muito mais.
O amor puro é assim.
Se leres a entrevista, ficarás a saber como eu contava amar-te. E talvez fiques a conhecer-me melhor.
Muitas vezes penso se não me amaste por não me teres chegado a conhecer ou se por me teres conhecido mal. Ou simplesmente porque não gostaste do que conheceste.
Não importa.
Sei que, se te soubesse doente, não permitiria que morresses. Não sem antes conseguir que fizesses o que te fosse mais importante.
Não sem antes estarmos em paz.
Não sem antes me despedir de ti e te agradecer por me teres permitido amar como eu acho que se deve amar alguém.
E, no livro que um dia espero escrever, dir-te-ia
A ti, que me permitiste viver.
Jornalista e escritor. Mulher e marido.
Ambos os papeis se encontram ali.
No início parece haver um distanciamento da condição de casal que os une, ficando "só" a vantagem de se conhecerem muito bem, como se fossem dois muito bons amigos. À medida que progride, a conversa flui, evolui, constroi-se como só acontece com um casal que se ama.
E depois, terminada, há um pequeno artigo sobre a história por trás da entrevista. Os bastidores, digamos.
Saramago, num momento em que Pilar não estava presente, diz "Não consigo imaginar a minha vida sem Pilar. Ou melhor, consigo, não seria nada boa."
Antes, na entrevista, lê-se que, durante a grave doença de Saramago ele terá dito a Pilar que não sabia se chegaria a terminar o livro que começara antes de adoecer. Isso parecia perturbá-lo, como se pudesse eventualmente morrer, com a vida por rematar. Nessa altura, Pilar conversou com os médicos e pediu-lhes que fizessem tudo o que pudessem para que ele vivesse pelo menos mais três meses, para que concluisse o livro.
Ele viveu, mais do que isso. Recuperou, acabou o livro e dedicou-lho:
"Para Pilar, que não deixou que eu morresse."
Não consigo imaginar melhor amor que este.
Pilar não estava apenas preocupada em perder o seu amor para a morte. Pilar estava preocupada que o seu amor não morresse em paz com a sua obra, sabendo que a sua obra era o mais importante da sua vida. Pilar distanciou-se do seu próprio sofrimento e objectivou a prioridade. Com medo de poder não ter o impossível, pediu o melhor dos possíveis.
E, talvez por isso, conseguiu muito mais.
O amor puro é assim.
Se leres a entrevista, ficarás a saber como eu contava amar-te. E talvez fiques a conhecer-me melhor.
Muitas vezes penso se não me amaste por não me teres chegado a conhecer ou se por me teres conhecido mal. Ou simplesmente porque não gostaste do que conheceste.
Não importa.
Sei que, se te soubesse doente, não permitiria que morresses. Não sem antes conseguir que fizesses o que te fosse mais importante.
Não sem antes estarmos em paz.
Não sem antes me despedir de ti e te agradecer por me teres permitido amar como eu acho que se deve amar alguém.
E, no livro que um dia espero escrever, dir-te-ia
A ti, que me permitiste viver.
domingo, 12 de outubro de 2008
Porto de abrigo

Ontem voltei à cidade e ao sítio onde nos beijámos pela primeira vez.
Estava lá tudo no mesmo lugar.
Menos nós.
Fizemos lá falta. Pelo menos a mim, pareceu-me tudo vazio.
Como se não estivesse lá ninguém.
Também o ar já não era o mesmo e, talvez por isso, me tenha sido difícil respirar.
Desta vez levei outros sapatos. Deviam ser bem desconfortáveis, porque me doía o chão ao caminhar. Quando lá estive contigo, não me lembro de sentir os pés. Penso que andava 5 cm acima dele, e tu puxavas-me para ti e o meu corpo fluia no ar.
Desta vez não choveu nem um segundo. Todos diziam que estava uma noite óptima. Fiquei a pensar que não sabem como aquele sítio é muito melhor à chuva.
Aquela esquina aparece num anúncio quando vou ao cinema. Penso que se a tivessem filmado enquanto lá nos beijávamos, abrigados da chuva, teria ficado melhor.
Estava lá tudo no mesmo lugar.
Menos nós.
Fizemos lá falta. Pelo menos a mim, pareceu-me tudo vazio.
Como se não estivesse lá ninguém.
Também o ar já não era o mesmo e, talvez por isso, me tenha sido difícil respirar.
Desta vez levei outros sapatos. Deviam ser bem desconfortáveis, porque me doía o chão ao caminhar. Quando lá estive contigo, não me lembro de sentir os pés. Penso que andava 5 cm acima dele, e tu puxavas-me para ti e o meu corpo fluia no ar.
Desta vez não choveu nem um segundo. Todos diziam que estava uma noite óptima. Fiquei a pensar que não sabem como aquele sítio é muito melhor à chuva.
Aquela esquina aparece num anúncio quando vou ao cinema. Penso que se a tivessem filmado enquanto lá nos beijávamos, abrigados da chuva, teria ficado melhor.
Teria ficado perfeito.
Foi-me bastante difícil estar ali agora.
Cenário vazio. Palco abandonado. Toda a plateia virada para outra peça.
E eu.
Sozinha no decor, sem conseguir sair do meu papel.
Foi-me bastante difícil estar ali agora.
Cenário vazio. Palco abandonado. Toda a plateia virada para outra peça.
E eu.
Sozinha no decor, sem conseguir sair do meu papel.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Notas para uma Regra de Vida
Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.
Aumentar a personalidade sem incluir nela nada alheio - nem pedindo aos outros, nem mandando nos outros, mas sendo outros, quando outros são precisos.
Reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem.
(...)
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, 237.
Aumentar a personalidade sem incluir nela nada alheio - nem pedindo aos outros, nem mandando nos outros, mas sendo outros, quando outros são precisos.
Reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem.
(...)
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, 237.
domingo, 5 de outubro de 2008
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