Pela primeira vez na minha vida (pelo menos que eu me lembre), "encomendaram-me" um texto.
Estreei-me a sentir-me artista contratado.
Era um requisito específico e de alguma responsabilidade: escrever um pequeno texto para o casamento de dois amigos de sempre. Pensei que não ia conseguir. Como é que eu ia escrever alguma coisa sobre o amor, sem ser sobre o MEU amor? Eu só sei escrever sobre mim, porque porque eu só escrevo no desabafo, na angústia...
Mas não disse que não. Disse que ia tentar.
No início não me ocorria nada mais do que "desejo-vos toda a felicidade do Mundo", "vocês merecem esta alegria" e mais uma dúzia de vulgaridades que me remetiam para um único pensamento - como é que eu vou emancipar-me desta mediocridade que existe dentro de mim?
E depois, quando menos esperava, num dia em que me preparava para dormir, vem-me à cabeça uma frase que tinha lido algures, mais umas coisas que tinha escrito em nenhures e que começaram a fazer sentido juntas e a coisa lá se deu...
Compôs-se a graça, evitou-se a desgraça!
"Aceitam-se encomendas."
sexta-feira, 23 de maio de 2008
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