domingo, 1 de junho de 2008

Pragmatismo do mais foleiro que há

Ando a pensar o que vou fazer contigo.
Não sei se hei-de arrumar-te (e onde?) ou se pegue outra vez em ti (e como?).
É difícil.
Como eu desconheço o futuro, e também te desconheço a ti, não consigo prever o resultado de qualquer uma das possíveis decisões.
Se eu decidir ficar por aqui, a minha vida não se altera, não corro nenhum risco de sofrimento, e fico com a convicção de ter decidido em função dos teus feios comportamentos. E assim fico toda inchada, achando a razão do meu lado. Posso até chegar a pensar que tu foste o burro e eu a esperta. Mas o que ganho com isso? A eterna sensação de que posso ter deixado partir o homem por quem quero viver?
Se eu, por outro lado, decidir reconstruir os cacos em que está a nossa relação, corro riscos muito elevados de: 1) tu não corresponderes (e eu sozinha não posso fazer grande coisa); 2) voltar a ouvir que entre nós existe apenas amizade, e na melhor das hipóteses é isso que vai haver; 3) reconquisto a nossa espécie de relação, mas descubro-a mais superficial do que nunca; 4) apaixono-me por ti, um dia perco-te e morro de amores (diz o Vinicius: "quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?"); 5) apaixonamo-nos os dois e somos brutalmente felizes.
Existe ainda outra hipótese, que nos filmes é sempre a escolhida como vitoriosa, que é a do reencontro espontâneo - no supermercado, numa esplanada à beira-rio, na fnac, etc... Suponho que esta é a tua forma preferida (tu! que achas que nada pode ser forçado e que detestas conversas sérias!), e minha também. Mas a questão que se põe agora é saber se vale a pena arriscar aquilo que o tempo leva, à espera que isso aconteça, na sua tão reduzida probabilidade.
A quarta possibilidade é a de partir de ti a vontade de reconstruir alguma coisa (fizeste-o muito mal da única vez que tentaste, ou melhor: não fizeste nada - disseste que fazias, mas ficaste-te pelas palavras).
Acrescento: eu não sei se te quero de volta.
Ora, posto isto tão claro no papel, que faço?

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