sábado, 7 de junho de 2008

Desesperança

Está tudo na mesma.
Passaram-se dias que me parecem minutos infinitos e deixei de conseguir ler o nosso silêncio. Talvez porque já não haja nada para ler.
O tempo vai levar-nos tudo... o pouco, o nada... O tempo vai assaltar-me o que tinha guardado para ti e eu vou ficar sem nada para te dar. Não tarda.
Que faço eu com as horas que passam?
Poderei eu sozinha e com este amor frágil e maltratado mudar o que tu queres de mim?

Hoje estou cheia de medos.
Medo do desencontro perene, do desamor, da solidão dorida.
Medo de não ser ninguém.

Hoje estou cansada.
Cansada de ti, dos teus desolhares, dos teus gestos que não me tocam, da infinita distância.
Cansada de te pensar cada segundo.

Hoje eu queria fechar os olhos e não te ver, nem te ouvir, nem sentir a tua falta. Queria pensar no amanhã sem precisar que lá estivesses para eu o imaginar feliz.

Hoje isto está difícil de aguentar.

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