... o que é feito de ti?"
Já não existes na minha vida. Não neste momento.
Mas exististe num momento passado, de curta duração. Por um momento, houve uma existência nossa, de nós. O que mais me custou na nossa breve existência foi ter de desistir dela. Desistir de ti.
Tive de o fazer, porque a vida continuou sem ti. Ou porque tu continuaste sem mim.
Nesse instante em que passaste por mim, modificaste-me para sempre. Deixaste a tua marca em mim, na minha vida.
A tua música, os teus livros, o teu (sor)riso, a tua ternura acrescentaram à minha vida uma existência mais bonita. Recuperaste-me a curiosidade, o intelecto, a sensibilidade.
A-PAI-XO-NAS-TE-ME
Por um momento, senti ter comigo o amor de uma vida. Fui capaz de sentir que queria estar com alguém até um dia morrer, e morrer com alguém. Despedir-me de alguém antes de morrer, se a morte me fosse anunciada. Quis ser de um só, para sempre. Fazer tudo com uma pessoa só, porque só uma pessoa bastava para encher de gente o meu Mundo. Queria esse amor omnipresente nos meus dias, na rotina circadiana do desejo, no meu adormecer e no meu acordar, nos meus filhos, na minha família, nos meus enfados e nos meus problemas. Eu seria completa com esse amor. Com ele quis a eternidade e o imediato, o bom e o mau, o muito e o ínfimo. Quis tudo.
Não sei quantas vezes na vida serei capaz de sentir o mesmo. Não é comum acontecer.
Mas sei que não vou querer nunca menos do que isto.
Dizem que amar nos dá anos de vida. Eu vou viver mais tempo.
Magoaste-me impiedosamente.
Mas isto é o que sobra da mágoa.
Uma vida mais feliz.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
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2 comentários:
Putini,
escreves cada vez melhor; é um prazer ler-te. bjnhos
Melhor é saber que me lês. Obrigada.
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